quinta-feira, 10 de março de 2016

Blog do Carelli Entrevista: Mary Drift


Na semana em que se celebra o dia internacional da mulher, o Blog do Carelli faz uma homenagem às representantes do sexo feminino que militam no automobilismo, através da série especial "Blog do Carelli Entrevista".

Nós conversamos essa semana com uma garota batalhadora, meiga, esforçada e muito simpática chamada Mariana, ou como ela gosta de ser chamada, Mary. A Mary mora em Curitiba (PR) e é adepta da modalidade Drift, onde o que conta é a perícia e a habilidade no controle do carro, nas derrapagens controladas.





Conheci a Mary através das redes sociais (onde atende pela alcunha de "Mary Drift") e venho acompanhando de longe a sua batalha para se aprimorar e manter-se no esporte.


A partir de agora, o "Blog do Carelli Entrevista" conversa com a Mary Drift.


Blog do Carelli: Mary, apresente-se aos nossos leitores

Mary: olá, me chamo Mariana, mas preferencialmente gosto de ser chamada de Mary. Sou de Curitiba/Paraná.

Nasci dia 05/11, sou do signo de Escorpião, como se fosse algo incrível (risos). Sobre o esporte, estou cada vez mais apaixonada pelo Drift, cada vez me surpreendo com minha capacidade e a do carro.




Mary pronta para ir pra pista


Blog do Carelli: como surgiu o interesse pela prática do Drift? E como surgiu a paixão pelo automóvel e pela velocidade? É algo mais recente ou desde criança?

Mary: tudo começou quando era pequena, lá pelos meus 6 anos. Gostava de ajudar na limpeza do Fusca que o meu pai tinha. Depois de limpar eu brincava dentro dele. Não alcançava os pedais e sem noção nenhuma de como era pilotar eu fazia sons de carro acelerando e cantando pneu. E isso perdurou por muitos anos.

Meu pai assistia todo domingo às corridas de F1. Lá pelos meus 7/8 anos de idade eu via meus pais torcendo em especial para um piloto. Eu os via felizes quando esse piloto ganhava. Minha mãe sorria e meu pai também, todos vibravam ao vê-lo. Então comecei a prestar mais atenção nisso.

Quando me interessei por carros e via aquele piloto correndo, despertava algo em mim. Como era criança não tinha a mínima noção do que era isso. Infelizmente esse piloto incrível veio a falecer em uma de suas corridas. Sim, estou falando dele mesmo, Ayrton Senna.

Depois disso eu brincava de carrinhos, tinha um carrinho de rolimã e muito pouco brincava de boneca, isso quando eu não fazia elas virarem pilotos de corrida (risos).

Com 18/19 anos tirei minha carteira de motorista e comprei meu primeiro carro, um Chevrolet Corsa ano 1995, o qual me fez muito feliz. Comecei a frequentar eventos no Autódromo Internacional de Curitiba (AIC), as famosas arrancadas de Curitiba. Fiquei algum tempo curtindo isso e falando com pilotos, mas ainda não preenchia uma parte em mim.




O primeiro carro a gente nunca esquece: GM Corsa 1995



Mudei de carro, para um Peugeot, mas corria pouco. Mas aprendi na prática. Infelizmente comecei a enfrentar machismo e reprovações pelo que fazia. Propostas vinham para treinar, mas sempre com segundas intenções. E isso me entristecia, pois estava em busca de um sonho: ser piloto.

Mas as pessoas não compreendiam, me viam como uma pessoa querendo se aparecer e não sabiam eles que eu buscava um sonho desde criança. Não desisti, ergui a cabeça e continuei. Mas ainda não havia preenchido essa parte que estava vazia.

Então descobri o Drift. E aquele sentimento de quando era pequena veio à tona. Lembrei-me do Senna correndo e tudo foi fazendo sentido. Encontrei o que preencheu, finalmente, aquela parte em mim. Eu encontrei o meu lugar, onde posso ser eu, o que preencheu todas as lacunas e dúvidas que eu tinha.

Encontrei muitas dificuldades, como por exemplo pessoas me desencorajando:
- “Você fazendo Drift é uma piada!” (de uma pessoa que achei que fosse um amigo).
- “Você não tem capacidade de fazer Drift, isso é só pra quem sabe” (como se as pessoas já nascessem sabendo).
- “Pra que isso Mariana? Não é coisa de mulher fazer” (de uma mulher).
“Te ajudo no drift, mas o que eu ganho em troca?” (uma pena não poder citar o nome da pessoa...).

Encontrei pessoas no Drift que me motivaram muito, como Sandro Freitas da DriftBR, Italo, Lucas Felex, Anderson (Beiço), Clodoaldo e o mais importante de todos, o Nathan, que mudou minha BMW para o Drift e continuará mudando ela conforme vou evoluindo no esporte.
Também ouço palavras de incentivo:

“Mary, não desiste não.” “Mary, segue em frente porque queremos te ver na pista.” "Mary, não escuta essa gente não, entra no carro e vai pra pista.”

Não sou boa no Drift hoje, pois ainda estou engatinhando nisso. Tenho pouca ajuda, sem patrocínio é mais difícil. Quero poder me dedicar mais ao Drift, treinar mais para ficar cada vez melhor.

Blog do Carelli: qual máquina você utiliza ou já utilizou nas pistas?

Mary: hoje tenho uma BMW 328i, ano 1996, com câmbio manual, fabricada em Munique. Até agora foram feitas as seguintes preparações: o diferencial foi blocado, as buchas foram feitas em alumínio, o eixo cardã é sob medida, mais forte. Suspensão preparada com reforço nas torres e filtro esportivo no motor. Em breve faremos mais algumas modificações, como por exemplo, turbinar o motor, mas isso ainda está um pouco longe de acontecer, vamos por partes...






Em vários ângulos, a perícia e o controle que o Drift exige do piloto


Blog do Carelli: quais são as dificuldades que uma mulher como você enfrenta na prática do esporte?

Mary: primeiramente o machismo, segundo o abuso. O machismo (não generalizando) de alguns pilotos e também em oficinas.

O abuso vem de pessoas e empresas que querem tirar proveito da situação, ou seja, da minha imagem e da pouca fama que consegui por ser uma mulher no meio automobilístico.
E aí entendo que talvez por isso não há muita mulher no automobilismo.

Blog do Carelli: você pensa em correr em outras categorias além do drift?

Mary: havendo propostas, por que não? (risos)




Mary com a "mão na massa" - não basta só pilotar!


Blog do Carelli: em quais pistas você costuma praticar o drift?

Mary: tenho um lugar especial onde treino, que é no Kartódromo de Registro (na cidade de Registro - SP), lugar onde corri em pista pela primeira vez e foi um dos poucos a me apoiarem.

Blog do Carelli: quais são seus principais resultados até o momento no drift?

Mary: por hora, o resultado que tenho é a satisfação pessoal e a chance de conhecer boas pessoas, pois ainda não tornei este esporte o meu trabalho remunerado. Não tenho ainda preocupações com campeonatos, pois meu foco neste momento é melhorar cada vez mais na pista. Os campeonatos virão como resultado deste esforço.





Blog do Carelli: você já passou por alguma situação diferente ou inusitada na prática do esporte?

Mary: já sim, atolei meu carro quando rodei na pista no meu primeiro dia. (risos). Sei que muitos irão dizer que é normal, mas foi minha primeira vez!

Blog do Carelli: quais dicas você poderia dar a alguém que está começando ou pretende começar a praticar o drift?

Mary: não ligue para o que as pessoas falam em primeiro lugar. As pessoas querem te ver bem, porém, nunca melhores do que elas.

Vá atrás, busque o que te faz feliz e jamais desista nos primeiros obstáculos. Tenha paciência e nunca perca a humildade.





A máquina: BMW 328i - tração traseira e potência suficiente para as deslizadas de lado


Blog do Carelli: você tem algum ídolo no esporte?

Mary: Ayrton Senna e Ken Block.

Blog do Carelli: o que você tem para dizer às meninas e mulheres que têm vontade e pensam em um dia praticar drift ou qualquer outra modalidade do automobilismo?

Mary: meninas, não vou mentir, pois é difícil sim. A não ser que você seja filha de pais ricos (risos). Mas lute para conquistar seu lugar. Não caia em conversas e promessas. Não escute pessoas que te julgam. Seja forte e persistente. Não perca a humildade.

Blog do Carelli: por fim, quais são seus objetivos futuros no drift?

Mary: tornar-me piloto profissional, disputar campeonatos de Drift e fazer apresentações.


A Mary está em busca de patrocinadores que a apoie para continuar evoluindo no esporte. Sabemos que, em uma modalidade como o automobilismo, sem patrocínio,não há resultado. E sem resultado, não há patrocínio. Acredito que a Mary possui uma ótima plataforma de divulgação de produtos, muito pelo fato, ainda inédito nos dias de hoje, de ser uma mulher competindo no automobilismo, em particular no Drift, o que chama bastante a atenção dos aficcionados pelo esporte.

Quem estiver interessado em patrocinar / apoiar a Mary, o e-mail dela é: mary_muller_ctba@hotmail.com






Créditos para algumas das fotos desta postagem: Everton Rupel Fotografia

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