domingo, 8 de abril de 2018

Do Fundo do Baú - 500 Milhas de Indianápolis de 1996


Separações invariavelmente são dolorosas. É um processo traumático e quase sempre carrega mais perdas do que ganhos para todas as partes envolvidas. A principal categoria de monopostos da América e uma das maiores do automobilismo mundial, a Fórmula Indy, passou em 1995 por uma cisão que balançou as estruturas de equipes, rachou a disputa entre ótimos pilotos e gerou duas categorias que, separadas, não tinham o mesmo poder e prosperidade de outrora.

O grupo dono do oval de Indianápolis e capitaneado por Tony George, herdeiro e presidente do mais tradicional complexo de velocidade dos Estados Unidos, por discordâncias pelos rumos e regulamentos que a principal categoria de monopostos vinha adotando, resolve criar uma liga apartada da conhecida CART. O grupo cria a IRL (Indy Race League) e segue seu caminho a partir da temporada de 1996.

Porém, as principais equipes, pilotos e patrocínadores ficaram com o grupo da CART, porém, a principal atração do show, as 500 Milhas de Indianápolis, seriam organizadas pela IRL.

Nas proximidades do mês de maio, muitas dúvidas pairavam no meio da velocidade acerca da realização das 500 Milhas. Os organizadores se desdobraram para angariar equipes e patrocínios para a prova, afinal, esta seria a octagésima edição no oval de Indiana.




Da esquerda para direita: Buzz Calkins, Tony Stewart, Mark Dismore e Brad Murphey



Os carros e motores a serem utilizados seriam de anos anteriores, a maioria construídos no ano anterior (1995). Muitos pilotos novatos na prova (os famosos rookies) e equipes bem pequenas e com parcos recursos deixavam no ar um tom de simplicidade e em pouco transparecia a “pompa e circunstância” que a prova em Indiana demandava.

A equipe que despontou como favorita nos treinamentos foi a Menard. Essa tradicional equipe das proximidades de Indianápolis até 1995 só participava da prova de 500 Milhas, sempre com vários carros e também utilizando a combinação de Chassis Lola e motor Menard (Buick) V6, que era derivado de um carro de linha de produção e por esse fato se beneficiava, por regulamento, de uma maior pressão no turbo em face dos outros motores, que eram construídos especialmente para competição e eram V8.




Motor Menard, na verdade um Buick V6 derivado dos carros de produção: mais pressão do turbo e potência extra



A cisão da CART com a IRL gerou uma rixa inicial muito grande. As duas categorias bradavam e traziam para si o título de “verdadeira” Fórmula Indy. Para afrontar a turma da IRL, a CART criou uma prova no mesmo dia e hora, valendo para o campeonato, entitulada US500 (aqui no Brasil, 500 Milhas dos Estados Unidos) mas no oval de Michigan. Até as emissoras Bandeirantes e SBT travaram uma batalha pela audiência do fã de automobilismo brasileiro.


Principais fatos da prova:


Brasileiros

O piloto paulista Marco Grecco foi o único brasileiro a participar da prova. Compondo a equipe da lenda A. J. Foyt, Grecco classificou-se na vigésima quarta posição (oitava fila). Correndo com um Lola-Ford de 1994 e pneus Goodyear, o brasileiro abandonou na volta 64 com problemas de motor.





Rookies

Uma grande quantidade de rookies (novatos) participaram da prova, um total de 17 estreantes, alguns bem tarimbados, como por exemplo o italiano Michelle Alboreto, além de jovens promissores como o mexicano Michel Jordain Jr. e o norte americano Richie Hearn, que finalizou a Indy 500 de 1996 em uma excelente terceira posição.




Um rookie veterano: o italiano Michele Alboreto foi bem na prova só não terminou pois foi traído pela caixa de câmbio





O americano Richie Hearn mostrou talento ao finalizar na terceira colocação



Os carros

As equipes recorreram a chassis e motores antigos, a maioria do ano anterior (1995):

- 12 Lolas 1995
- 11 Reynard´s 1995
- 5 Lolas 1994
- 1 Reynard 1994
- 3 Lolas 1993
- 1 Lola 1992

Motores:

- 8 Buick´s
- 24 Fords
- 1 Mercedes-Benz

Pneus:

- 19 carros com Goodyear
- 14 carros com Firestone


Morte

O norte americano Scott Brayton, da equipe Menard, conquistou a pole position para a prova. Porém, no Carburation Day (17 de maio de 1996), um estouro de pneu fez Brayton bater violentamente de lado a aproximadamente 320 Km/h. A morte foi quase que instantânea por conta da força do impacto (mais de 100 G´s) e da desaceleração brusca. A causa da morte foi uma fratura na base do crânio.

Na prova, o carro de Brayton foi pilotado pelo veterano Danny Ongais.






As tristes imagens do acidente fatal de Scott Brayton




Acidente grave na última curva da última volta

O italiano Alessandro Zampedri, o colombiano Roberto Guerrero e o chileno Eliseo Salazar fizeram uma ótima prova e na última volta estavam colados na briga pela quarta posição. Na curva 4, Guerrero perdeu o controle de seu Reynard e rodou, acertando de traseira o italiano Zampedri, que prensado entre Salazar e Guerrero, acabou sendo catapultado em direção às grades e postes de proteção acima do muro. O carro de Zampedri bateu fortemente no alambrado e teve a frente totalmente destruída, machucando bastante seus pés. O carro do italiano ainda capotou antes de parar na frente da entrada dos boxes.







A sequência do forte acidente da última curva




O Reynard do colombiano Roberto Guerrero bem destruído após a pancada com Alessandro Zampedri e Eliseo Salazar




Equipe Hemelgarn - do inferno à glória em um ano

Nas 500 Milhas de Indianápolis de 1995, a equipe Hemelgarn passou por uma drama com o acidente gravíssimo de Stan Fox na primeira volta da prova. Fox nunca mais voltou a pilotar, mas a equipe persistiu e em 1996 conseguiu a vitória com Buddy Lazier.



Buddy Lazier, sua bela esposa e o dono da equipe, Ron Hemelgarn







Davy Jones, o único a competir com motor Mercedes, ficou perto da vitória




Resultado final:

1º - Buddy Lazier - Reynard-Ford Firestone (Hemelgarn Racing)
2º - Davy Jones - Lola-Mercedes-Ilmor Goodyear (Galles Racing)
3º - Richie Hearn - Reynard-Ford Goodyear (Della Penna Motorsports)
4º - Alessandro Zampedri - Lola-Ford Goodyear (Team Scandia)
5º - Roberto Guerrero - Reynard-Ford Goodyear (Pagan Racing)
6º - Eliseo Salazar - Lola-Ford Goodyear (Team Scandia)
7º - Danny Ongais - Lola-Buick Firestone (Team Menard)
8º - Hideshi Matsuda - Lola-Ford Firestone (Beck Motorsports)
9º - Robbie Buhl - Lola-Ford Firestone (Beck Motorsports)
10º - Scott Sharp - Lola-Ford Goodyear (A.J. Foyt Enterprises)




O veterano Danny Ongais substituiu Scott Brayton e terminou a prova em uma boa sétima colocação





O holandês voador Arie Luyendyk foi o único vencedor da Indy 500 a disputar a prova





Lindo esquema de pintura do Lola de Eddie Cheever. A se destacar também a capota abaulada do motor, tradição da equipe Menard




O colombiano Roberto Guerrero foi competitivo em toda a edição de 96 da Indy 500




Michel Jordain Jr., a jovem promessa mexicana



O ainda jovem Tony Stewart, que mais tarde se tornaria um dos grandes da Nascar




Lyn St. James foi a única representante feminina na prova





Lazier e o Troféu Borg Warner

sábado, 7 de abril de 2018

Losacco vence na estréia na Copa Truck


Os olhos marejados e a voz trêmula presentes na entrevista pré pódio da segunda bateria da primeira etapa da Copa Truck 2018, disputada na cidade paranaense de Cascavel, demonstravam um misto de alegria e alívio no piloto Giuliano Losacco.

O piloto paulista, bicampeão da Stock Car Brasil nos anos de 2004 e 2005, estreou na categoria nacional de caminhões com uma vitória, fato que só corrobora o quanto ele é talentoso e versátil.

Mas esse talento vinha sendo posto à dúvida neste últimos anos. Após sagrar-se bicampeão da Stock, Losacco continuou nas principais disputas da categoria por alguns anos, porém a escassez de bons resultados e a passagem por equipes menos estruturadas levaram Losacco à saída da categoria em 2011. Participou de outras categorias, como o Troféu Linea e a Sprint Race, porém agora parece seguir para uma jornada promissora e vencedora na Copa Truck.



O Iveco de Losacco



Pilotando o Iveco da equipe Dakar, Losacco imprimiu uma pilotagem sólida e técnica, sem erros para vencer à frente do veterano piloto Wellington Cirino e seu Mercedes-Benz da equipe AM Motorsports.

Losacco espera fazer a temporada completa em 2018, dividindo a pilotagem do Iveco com a função de comentarista de automobilismo do canal fechado Sportv, para alegria dos fãs do automobilismo nacional em ter de volta às atividades um bicampeão da Stock Car brasileira.




A festa no pódio, cercado por Wellington Cirino e André Marques

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Do Fundo do Baú - Quatro Rodas Experience - anos 2006 / 2007


Imagine um evento voltado ao amante do automóvel e do automobilismo, em que o cidadão comum e apaixonado por automóveis pode pagar uma quantia relativamente pequena para andar de carro em uma pista de corridas fechada para o evento. Pense também em carros superesportivos como por exemplo Ferrari, Corvette e Mustang disponíveis para andar de passageiro, no limite da máquina, com a "tocada" de um piloto profissional, tudo isso a um preço justo. Fora do asfalto, era possível também percorrer um trecho de uma pista off-road desafiadora, tudo com orientação de pilotos especializados.


Era aproximadamente dessa forma que funcionava o Quatro Rodas Experience, evento realizado por alguns anos no autódromo de Interlagos (SP) e organizado pela tradicional Revista Quatro Rodas, da Editora Abril. Com o apoio de diversas fábricas como Chevrolet, Citroën, Kia, Nissan, Renault, que disponibilizam os seus modelos para os testes em pista on e off road, o evento contava com diversas outras atrações extra-pista, como parque de alimentação, tirolesa, pista de autorama, games e exposição de carros antigos e de corrida.


Participamos eu, Reginaldo e Tarcísio das edições dos anos de 2006 (a primeira realizada) e 2007. Lembro-me que pagava-se algo em torno de 80 / 90 reais para realizar um test-drive de 3 voltas no traçado de 4 quilômetros do autódromo paulista, sempre com um instrutor/engenheiro nomeado pela fábrica acompanhando no banco do carona, responsável pelas instruções e dicas de pilotagem e também eventuais dúvidas sobre o modelo. O limite de velocidade estabelecido pela organização era de 120 Km/h, mas alguns instrutores mas alguns instrutores, sentindo confiança no "piloto", deixavam passar desse limite.


Andei em diversos carros mas o que mais me marcou foi o Lobini H1. O cupê esportivo fora de série nacional de dois lugares possui uma dirigibilidade excelente. Sua direção tem uma reação direta, com um volante de diâmetro pequeno e de ótima empunhadura. A posição de pilotagem lembra a de um cockpit de carro de corrida, pela posição do tronco no banco concha e as pernas e pés, que ficam prontos para a realização dos punta-taccos.


Por fim, a potência do motor 1.8 turbinado oriundo do Volkswagen Golf, de 180 cavalos, aliada ao baixo peso do chassi e carroceria, garante prazer e emoção na pilotagem, seja nas tomadas de curva (graças à curta distância do entre-eixos), seja nas "patadas" proporcionadas pela ação da turbina em acelerações nas retas. Sua pilotagem em Interlagos marcou!


A se destacar também o test-drive na pista off-road. Usar de toda a técnica repassada pelos pilotos profissionais, entender como funciona a pilotagem no fora de estrada e aprender como e quando utilizar alguns recursos dos modelos 4x4, como por exemplo a tração reduzida, foi uma experiência única e que também marcou.


Como fato curioso, na edição de 2007, fiz um test-drive em um carro da Chevrolet (acredito que era um Prisma de primeira geração). Para a minha surpresa, o piloto instrutor era Erika Piedade, filha de Aldo Piedade, família responsável pela tradicional escola de pilotagem paulista Alpie Racing School. Foi uma honra receber as instruções da moça e ao final das três voltas ela gentilmente me convidou a fazer um curso de pilotagem.


Não posso deixar de contar aqui a emoção que foi para mim sair dos boxes pela primeira vez e entrar no mítico traçado paulistano na pilotagem de um carro. Na minha cabeça, passou um filme cujos personagens principais foram os diversos pilotos brasileiros e estrangeiros que fizeram história naquela pista. Foi difícil segurar a emoção...


As fotos abaixo são em sua maioria feitas por mim, na época já com uma câmera digital mas ainda com baixa resolução de imagem (comum na época). Começamos com as fotos de 2006:







Eu e Tarcísio ao lado de uma Nissan Frontier cabine dupla, na pista off-road






Reginaldo "ready to go" para mais um test-drive







A partir de agora, seguem fotos da edição de 2007:




Luiz Henrique, aqui bem novinho, pilotando no simulador







Reginaldo saindo para a pista de Chevrolet Astra SS






Aqui eu saindo dos boxes a bordo do Lobini H1 - emoção única!






O autorama sempre presente!




Andei nesta Chevrolet S10 no traçado off-road





O bi-campeão da Stock Car Brasil, o paulista Giuliano Losacco, prestigiou o evento












Habitáculo do Lobini H1 - tudo justo e perfeito!







 

Foto raríssima do protótipo Lobini H2, que nunca foi produzido. De perto, a máquina era impressionante de se ver!










Aqui eu ao lado de um exemplar vermelho do H1 - paixão pelo esportivo!








Luiz Henrique se divertindo no slot car