No final da década de 90, a Mercedes-Benz enfrentava um desafio de relações públicas após o Classe A original (W-168) falhar no polêmico "teste do alce". Para demonstrar a segurança e a versatilidade da sua plataforma, a divisão de engenharia da AMG decidiu criar algo verdadeiramente insano: o A38 AMG, também conhecido como A190 Twin.
Engenharia dupla e potência inesperada
Diferente de qualquer hatchback da época, o A38 AMG foi equipado com dois motores de 1,9 litro. Um motor impulsionava o eixo dianteiro, enquanto o segundo motor foi instalado na parte traseira para alimentar o eixo traseiro, transformando o carro em um veículo de tração integral.
Juntos, esses motores entregavam uma potência combinada de 250 PS (186 kW) e um torque de 360 Nm. Graças a essa configuração, o compacto era capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 5,7 segundos, atingindo uma velocidade máxima de 230 km/h.
A magia do "Sandwich Floor"
O que tornava o A38 ainda mais impressionante era a manutenção da praticidade. Utilizando a arquitetura de "piso em sanduíche" (sandwich floor) da Mercedes-Benz, os engenheiros conseguiram acomodar o segundo motor sem comprometer o espaço para carga ou o conforto interno. O carro mantinha todos os seus assentos, um assoalho completamente plano e um porta-malas funcional.
Para gerenciar essa complexidade, uma eletrônica inteligente sincronizava os dois motores através da transmissão automática. Além disso, o motor traseiro podia ser desligado com o toque de um botão, transformando o monstro de tração integral de volta em um hatchback convencional de tração dianteira para economizar combustível.
Desempenho de superesportivo
A AMG não se limitou a adicionar potência. O veículo recebeu ajustes de suspensão específicos, uma melhor distribuição de peso e o sistema de frenagem do Mercedes-Benz E55 AMG. Com isso, o A38 conseguia parar de 100 km/h a zero em menos de 37 metros, oferecendo uma dirigibilidade excepcional apesar do peso adicional.
Um item de colecionador ultrarraro
Apesar da inovação tecnológica, o Mercedes-AMG A38 nunca chegou à produção em série devido aos altos custos e à complexidade de fabricação. Apenas quatro unidades foram construídas em todo o mundo.
O destino dessas raridades é digno de nota: duas delas foram entregues aos então pilotos de Fórmula 1 da McLaren-Mercedes, Mika Häkkinen e David Coulthard. Os outros dois exemplares remanescentes pertencem à própria Mercedes-Benz e ao colecionador Lindsay Fox.















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