Muito mais do que imaginamos
As semelhanças entre os Jogos Olímpicos de Inverno e o nosso querido automobilismo vão muito além das técnicas de jogo de corpo para ganhar velocidade e encurtar o traçado das curvas, garantindo aqueles milésimos que levam à medalha de ouro. Basta lembrar que a maioria das competições do programa olímpico envolve velocidade e, consequentemente, tecnologia e trabalho em equipe sincronizado — algo muito parecido com um pit wall — não ficam de fora de nenhuma edição dos Jogos, principalmente quando se trata de patinação, esqui e trenó.
Um bom exemplo é a patinação de velocidade. Nas provas de pista longa, há realmente um trabalho semelhante ao de pit wall com cada atleta. Durante as provas, treinadores passam informações de tempo por meio de placas, para que o competidor saiba suas parciais de volta e de setor de forma atualizada. Assim, ele consegue traçar uma estratégia para aumentar o ritmo na hora certa e atingir o tempo necessário para chegar ao primeiro lugar ao final da última bateria do programa.
Nem é preciso dizer que a própria aerodinâmica dos trenós de bobsled, luge e skeleton é pensada não só para encarar com precisão técnica aquelas curvas hiper-inclinadas dos trajetos, mas também para maximizar o desempenho dentro das regras. Cada equipe estuda detalhadamente seu trenó para ajudar o atleta a extrair o melhor rendimento possível.
Inclusive, uma das grandes novidades dos Jogos deste ano, realizados nas sedes de Milão e Cortina (na Itália), é a participação da NASCAR no estudo dos trenós de luge da equipe americana. A parceria inclui análises do equipamento em túneis de vento especiais e um intercâmbio de engenheiros na sede da stock car americana, em Charlotte, na Carolina do Norte.
Como todo início de parceria, os frutos não vêm em abundância, mas aparecem aos poucos. Apesar do resultado discreto na competição masculina individual — com o melhor americano na prova, Jonny Gustafson, terminando apenas na décima primeira colocação — já houve avanço na prova individual feminina, com Ashley Farquharson registrando tempo no mesmo segundo da medalhista de prata, Elīna Ieva Vītola, e apenas um segundo mais lento que o da campeã alemã Julia Taubitz.
A parceria, já anunciada como sendo de longo prazo, deve se manter firme pelo menos nos próximos ciclos olímpicos, em que os Estados Unidos terão grande protagonismo ao sediar, em Salt Lake City, no estado de Utah, uma futura edição dos Jogos de Inverno. O objetivo, naturalmente, será fazer bonito em casa e não dar tantas chances para os europeus comemorarem pódios nos bares e restaurantes da região — o que certamente trará ainda mais testes, desenvolvimento tecnológico e contato entre essas duas equipes de ponta.

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