sábado, 8 de agosto de 2026

O ciclo de longa duração do Opala #47 da Lyus Racing na temporada 2026



As fotos são de Sheila Nolasco Quiles



A participação da Lyus Racing na temporada 2026 das provas de longa duração com o Chevrolet Opala nº 47 coincide com os 100 anos da General Motors no Brasil. Longe de uma abordagem meramente nostálgica, o projeto foca na superação de desafios inerentes à arquitetura clássica do veículo: a configuração de motor dianteiro de 6 cilindros em linha impõe uma pilotagem "tradicional" de alta exigência. Sem o suporte de auxílios eletrônicos como freios ABS ou controle de tração presentes nos carros de projetos mais modernos que participam de provas de longa duração atuais, o desempenho em pista depende estritamente do acerto mecânico refinado e da gestão de inércia, variáveis que são levadas ao limite.


GP Cidade de São Paulo 1000 Milhas: resiliência e eficiência no trabalho de box


A prova de 24 e 25 de janeiro reafirmou que o endurance é, primordialmente, uma métrica de resistência mecânica e prontidão logística. A tripulação composta por Bruno Munhoz, Lucas Munhoz, Konrad Viehman e Rogério Mendes, concorrendo na categoria T1-B, enfrentou um incidente crítico durante a madrugada com a quebra da transmissão. A recuperação do veículo foi pautada por um trabalho exemplar nos boxes. A substituição do câmbio foi executada em 28 minutos, minimizando o tempo de inatividade. O time completou 267 voltas, com a melhor volta na marca de 1:55.642, mantendo a competitividade dentro da classe T1-B após o reparo.

O resultado final — 24º lugar na classificação geral e 4º colocação na sub-classe T1-B — foi consolidado após a vistoria pós-prova, que resultou na desclassificação técnica do Chevrolet Omega nº 18 da equipe Big Power, ressaltando a importância da conformidade regulamentar em competições de longa duração. A solidez demonstrada no reparo em Interlagos preparou o terreno para o ajuste de ritmo e refinamento estratégico na etapa de Brasília.






2 Horas de Brasília: gestão de estratégia e liderança momentânea

No Autódromo Internacional Nelson Piquet, a Lyus Racing focou na otimização da dinâmica de pista sob o comando de Bruno e Lucas Munhoz na Road to 1000 Milhas, campeonato preparatório para a 1000 Milhas de 2027, com provas de 2 horas de duração. O confronto direto com o Chevrolet Omega nº 18 de Marcos Júnior e Sandro Sanchez exigiu um trabalho especial no acerto do Opala para as características do traçado brasiliense. Um dos destaques de engenharia da etapa foi o ajuste de cambagem assimétrica no eixo dianteiro: a roda direita foi configurada com uma abertura superior à esquerda para compensar o esforço lateral e o desgaste nos setores de curvas predominantes, garantindo maior estabilidade no contorno.

A consistência de pista permitiu ao Opala #47 assumir a liderança momentânea da T1-B durante a janela de paradas obrigatórias, validando a estratégia de consumo. O carro da Lyus Racing competiu um total de 43 voltas, com a melhor marca na casa de 2min35s, conquistando ao final da prova a segunda colocação na sua classe e nona posição na classificação geral.

A técnica de pilotagem e a gestão de componentes em Brasília levaram para o desafio seguinte, onde a integridade do equipamento superou a busca por tempos recordes devido ao fator climático.



A etapa noturna em Interlagos: o desafio da visibilidade e tração

A etapa noturna de 16 de maio, sob forte chuva, testou a capacidade de decisão da equipe. O Opala #47 enfrentou dificuldades severas de visibilidade decorrentes do intenso spray gerado pelos protótipos, agravadas pelo desafio aerodinâmico de um carro de turismo tradicional e o embaçamento crônico do para-brisa sob condições extremas. Tecnicamente, a concentração de massa do motor 6 cilindros na parte dianteira do carro exigiu cautela redobrada nas frenagens para o S do Senna, onde a inércia do conjunto dificultava o controle em pista encharcada. Bruno e Lucas Munhoz priorizaram a manutenção do equipamento em detrimento do risco excessivo de aquaplanagem. Foram 38 voltas completadas em duas horas de prova, com a marca mais rápida em 2:04.696 na chuva, sendo ao final 18º colocados na classificação geral e 3º na categoria T1-B.



Mais uma etapa noturna em Interlagos


O próximo desafio mais uma vez foi noturno e em Interlagos, em mais uma etapa da Road To 1000 Milhas, no primeiro fim de semana do mês de agosto. O Chevrolet Opala nº 47 da equipe Lyus Racing manteve um ritmo constante de corrida ao longo das duas horas de prova, completando um total de 41 voltas no tempo de 2h03min34s027. O melhor tempo de volta registrado pela dupla foi de 2:08.955, obtido na passagem de número 32. A equipe assegurou a 16ª posição na classificação geral e conquistou o 2º lugar na categoria T1B. Na mesma classe, a vitória ficou com o carro de Rodrigo Mourão e Ricardo Gouveia, o Chevrolet Camaro nº 36, que completou 58 voltas.

O desafio da equipe Lyus Racing e o Opala nº 47 segue na temporada de 2026, com mais três etapas da Road to 1000 Milhas ao longo do ano.



































terça-feira, 4 de agosto de 2026

Copa Fusca Seineca 2026 – 6ª etapa - Interlagos


Arthur Fischer brilha com duas vitórias no fim de semana na Copa Fusca em Interlagos


As fotos são de Paulo Abreu



O Autódromo de Interlagos foi palco de disputas intensas e muita emoção para os amantes dos "besouros" durante a etapa do Campeonato Paulista de Automobilismo no fim de semana. O grande nome do fim de semana foi Arthur Fischer, que dominou as duas provas da categoria, consolidando-se como o principal perseguidor ao título da temporada 2026.


A pole position foi disputada na sexta-feira e conquistada por Felipe Martins, com a melhor marca em 2:06,300. Roberto Soares foi o mais rápido da categoria Sênior (sexto melhor tempo geral) e Erli Camargo foi o melhor classificado na categoria Light, o sétimo mais rápido na tabela geral.



Resultado do treino classificatório:

1) 77-FELIPE MARTINS (SUPER), 2:06,300
2) 20-ARTHUR FISCHER (SUPER), 2:06,390, a 0,090
3) 5-EDUARDO BELISARIO (SUPER), 2:06,911, a 0,611
4) 311-P.ZAMANA/A.ZAMANA (SUPER), 2:06,984, a 0,684
5) 3-ROGÉRIO GASPAR (SUPER), 2:07,092, a 0,792
6) 49-ROBERTO SOARES (SENIOR), 2:07,129, a 0,829
7) 39-ERLI CAMARGO (LIGHT), 2:07,645, a 1,345
8) 44-THALES BARCI (LIGHT), 2:07,654, a 1,354
9) 55-ESTEVAM MANHANI (SUPER), 2:07,809, a 1,509
10) 33-FERNANDO MORAES (LIGHT), 2:08,327, a 2,027
11) 9-MARCOS FORTUNA (LIGHT), 2:08,334, a 2,034
12) 79-JOSÉ DIAS FILHO (SENIOR), 2:09,952, a 3,652
13) 8-SERGIO LEITE (LIGHT), 2:11,372, a 5,072
14) 468-R.CANDIA/CEBOLA (LIGHT), 2:11,717, a 5,417
15) 28-CESAR (LIGHT), 2:12,856, a 6,556
16) 16-VERONICA BENEVENTI (LIGHT), 2:17,318, a 11,018


Registros dos treinos



Carro de dupla Candia / Cebola à frente de Eduardo Belisário





Roberto Soares




Caio Gomes




Candia/Cebola à frente de Sergio Leite e Eduardo Belisário






Verônica Beneventi à frente de Arthur Fischer






Fernando Moraes





Sérgio Leite






Rogério Gaspar




Thales Barci à frente dos companheiros de equipe Zamana´s pai e filho









Arthur Fischer à frente de Sérgio Leite






Felipe Martins e Eduardo Belisário





Eduardo Belisário






Verônica Beneventi





Cesar Nalesso






Drama para o líder e vitória de Fischer na corrida 1

A primeira corrida, realizada no sábado, começou com Felipe Martins na pole position. No entanto, o destino da prova mudou drasticamente logo na primeira volta, quando o líder do campeonato, Caio Gomes, sofreu um acidente na saída da curva do Sol, batendo contra a barreira de pneus e abandonando a disputa precocemente.

Com o caminho aberto, a liderança foi disputada ferrenhamente. Eduardo Belisário chegou a assumir a ponta em uma manobra ousada no S do Senna, mas foi superado por Arthur Fischer na quarta volta. Fischer imprimiu um ritmo fortíssimo, abrindo uma vantagem de mais de seis segundos. No final, enquanto Fischer cruzava a linha isolado, a briga pelo segundo lugar foi decidida no "foto finish": Belisário garantiu o posto por apenas 82 milésimos de vantagem sobre Felipe Martins.



Resultado final – Corrida 1


1) 20-ARTHUR FISCHER (SUPER), 2:07,541
2) 5-EDUARDO BELISARIO (SUPER), 2:08,157, a 9,496
3) 77-FELIPE MARTINS (SUPER), 2:08,100, a 9,578
4) 311-P.ZAMANA/A.ZAMANA (SUPER), 2:08,269, a 9,920
5) 3-ROGÉRIO GASPAR (SUPER), 2:07,251, a 10,027
6) 44-THALES BARCI (LIGHT), 2:07,813, a 10,639
7) 39-ERLI CAMARGO (LIGHT), 2:08,729, a 18,033
8) 55-ESTEVAM MANHANI (SUPER), 2:08,854, a 18,318
9) 9-MARCOS FORTUNA (LIGHT), 2:08,498, a 21,820
10) 79-JOSÉ DIAS FILHO (SENIOR), 2:08,741, a 22,740
11) 49-ROBERTO SOARES (SENIOR), 2:08,184, a 31,068
12) 468-R.CANDIA/CEBOLA (LIGHT), 2:11,391, a 46,151
13) 8-SERGIO LEITE (LIGHT), 2:12,273, a 1:18,614



Registros da corrida 1








O Fusca de Caio Gomes, danificado após a batida, é rebocado pelo resgate












Marcos Fortuna liderando o pelotão




















Erli Camargo à frente de Thales Barci





Sérgio Leite à frente do Fusca da dupla Candia/Cebola












Cesar Nalesso






Verônica Beneventi



















Marcos Fortuna à frente de José Dias Filho






Arthur Fischer












Recuperação de Caio Gomes e “sprint” final na corrida 2

No domingo, a expectativa girava em torno da recuperação de Caio Gomes, que devido ao acidente de sábado, foi forçado a largar da décima-sétima e última posição. Gomes deu um show de pilotagem logo na largada, ganhando nove posições em apenas uma volta.

Na frente, Arthur Fischer novamente demonstrava superioridade, mantendo uma distância segura até a entrada de um Safety Car nas voltas finais, causado por uma rodada de Thales Barci na saída do S do Senna. A interrupção eliminou a vantagem de Fischer, preparando o terreno para uma "corrida de uma volta" após a relargada.

Na volta final, Zamana atacou Fischer intensamente, chegando a emparelhar na curva do Lago. Contudo, Fischer demonstrou frieza para defender a posição e cruzar a meta em primeiro, garantindo a dobradinha no fim de semana. Caio Gomes finalizou em sétimo, conseguindo minimizar o prejuízo no campeonato após o abandono do dia anterior.



Resultado final – corrida 2


1) 20-ARTHUR FISCHER (SUPER), 2:07,099
2) 311-P.ZAMANA/A.ZAMANA (SUPER), 2:07,422, a 0,720
3) 77-FELIPE MARTINS (SUPER), 2:07,682, a 0,833
4) 3-ROGÉRIO GASPAR (SUPER), 2:07,692, a 1,133
5) 5-EDUARDO BELISARIO (SUPER), 2:08,023, a 1,765
6) 33-FERNANDO MORAES (LIGHT), 2:07,612, a 1,914
7) 86-CAIO GOMES (SUPER), 2:07,760, a 2,616
8) 55-ESTEVAM MANHANI (SUPER), 2:07,861, a 3,498
9) 9-MARCOS FORTUNA (LIGHT), 2:08,990, a 4,470
10) 49-ROBERTO SOARES (SENIOR), 2:07,951, a 9,180
11) 8-SERGIO LEITE (LIGHT), 2:12,623, a 16,465
12) 79-JOSÉ DIAS FILHO (SENIOR), 2:10,535, a 26,346
13) 28-CESAR (LIGHT), 2:12,564, a 34,573
14) 468-R.CANDIA/CEBOLA (LIGHT), 2:13,570, a 58,305
15) 16-VERONICA BENEVENTI (LIGHT), 2:15,384, a 1 volta
16) 44-THALES BARCI (LIGHT), 2:07,439, a 3 voltas


Registros da corrida 2





















Arthur Fischer, o nome a ser batido no fim de semana












Caio Gomes voltou a conquistar bom resultado depois da corrida 1 para esquecer




Fernando Moraes
























- Relação das equipes / pilotos (temporada 2026):


- Equipe Zamana Racing:
Paulo Zamana
André Zamana
Erli Camargo Junior
Thales Barci
Lorran Lima


- Equipe Wessler Racing:
Stanley Wessler
Andrea Gaspar
Rogério Gaspar
Felipe Martins
Thiagão Perez
Estevam Manhani
Arthur Fischer


- Equipe Crazy Race:
Thiago Benício
Eduardo Belisario
Sérgio Leite
Denis Knipl
Fernando Moraes


- Equipe RC Motorsport:
Renato Candia
Rogério Cebola


- Equipe ForRacemotorsport:
Roberto Soares
Leonardo Macedo


- Equipe San Race:
Marcos Fortuna


- Equipe KamiKaze:
Veronica Beneventi


- Equipe J.A. Motorsport:
Neno Oliveira
Caio Mahana
Cristiano Canto
Ademar Zico
Rafael Iasbek
Luis Alves


- Equipe José Dias Filho:
José Dias Filho


- Equipe Bertoline Motorsport:
Caio Gomes



Regulamento técnico 2026


O regulamento técnico da Copa Fusca GT-Oil 2026, homologado pela Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP), estabelece as normas para a competição de veículos Volkswagen Sedan (Fusca). A premissa fundamental é que toda modificação que não esteja expressamente permitida é proibida, devendo as peças e sistemas permanecerem originais.


Veículos e categorias
Modelo: apenas o Volkswagen Sedan (Fusca) com chassi original é permitido.
Categorias: a competição é dividida nas categorias Senior, Super e Light.
Identificação: os carros devem portar números em cores contrastantes (mínimo de 260 mm de altura) e podem utilizar faixas nos vidros com as cores da categoria.


Motorização e performance
Motor: deve ser o Volkswagen EA-111 1.6 Flex (original do modelo Fox), sem retrabalhos ou preparação interna.
Especificações técnicas: a taxa de compressão deve ser a original (12:1) e o pistão deve manter luzes específicas em relação ao bloco.
Eletrônica: é obrigatório o uso dos módulos de injeção Fuel Tech FT350 ou FT400 e bicos injetores Bosch específicos.
Combustível: uso exclusivo de Etanol.


Transmissão, suspensão e freios
Câmbio: transmissão original, sendo que apenas a 3ª e 4ª marchas são livres. O diferencial pode utilizar relações 8/35, 8/33 ou 8/31.
Suspensão: permitido o uso de catracas para regulagem de altura e ajustes de cáster/cambagem nos braços. Amortecedores devem ser nacionais, mas o modelo "coil over" é proibido.
Freios: o conjunto traseiro deve ser o original de Fusca ou Brasília (tambor); freios a disco na traseira são proibidos. É obrigatório o funcionamento de quatro pontos de luz de freio.


Dimensões, peso e carroceria
Peso mínimo: todos os veículos devem ter, ao final da prova, o peso mínimo de 790 kg (incluindo o piloto com vestimenta completa). O uso de lastro fixado no assoalho é permitido para atingir este peso.
Carroceria: a aparência externa deve ser original. É permitida a substituição de portas e capôs por peças de fibra de vidro, desde que mantida a estética original.
Aerodinâmica: são proibidos spoilers dianteiros, aerofólios traseiros, extratores ou fundos planos.
Vidros: o para-brisa deve ser laminado; os demais vidros devem ser substituídos por policarbonato de no mínimo 2 mm.


Rodas e pneus
Rodas: de ferro (modelo Brasília/SP2) ou liga leve, aro 14, com talas de 6 polegadas na dianteira e 7 na traseira.
Pneus: uso obrigatório da marca Goodyear (medidas 185/70 ou 185/65), com sulcos de no mínimo 2 mm.


Segurança e equipamentos
Interior: devem ser retirados todos os materiais inflamáveis (bancos originais, forrações, etc.).
Itens obrigatórios: banco de competição, cintos de segurança de 4 ou 5 pontos homologados FIA, extintor de incêndio de 4 kg e chave geral interna/externa.
Estrutura: obrigatório o uso de arco de segurança (Santo Antônio) com barra transversal, apoiado no chassi em pelo menos 4 pontos, seguindo as normas do Anexo J da FIA.
Câmeras: o uso de câmera interna gravando o piloto é obrigatório para fins de vistoria de incidentes; a falha na gravação acarreta desclassificação.


Regras de competição
Largada: realizada com os veículos parados através de sinalização luminosa.
Comunicação: é permitido o uso de rádio e dispositivos para controle de tempo de volta (dataloggers, GPS).