terça-feira, 19 de maio de 2026

O Tour Auto 2026 e a participação especial do Team Pedrazzi



Tour Auto 2026 - a lenda do automobilismo clássico de volta às estradas







O Tour Auto não é apenas uma corrida; é uma celebração viva da história do automóvel. Considerado a versão histórica de uma das competições mais antigas do planeta, o evento combina provas cronometradas em estradas e circuitos, oferecendo uma atmosfera única para entusiastas e colecionadores.



Uma viagem no tempo: a história do Tour

A gênese do evento remonta a 1899, quando foi criado pelo Automobile Club de France sob o nome de Tour de France Automobile. Naquela época, era uma verdadeira aventura de 4.000 quilômetros, testando os limites das máquinas rudimentares.

Após interrupções causadas pelas guerras mundiais, a prova foi retomada em 1951, atingindo o auge da popularidade nos anos 60, quando atraía marcas como Ferrari, Porsche, Jaguar e Mercedes, além de pilotos lendários como Stirling Moss, Henri Pescarolo e Maurice Trintignant. Contudo, a crise do petróleo nos anos 80 enfraqueceu a prova, levando à sua 50ª e última edição "moderna" em 1986.

O renascimento aconteceu em 1992, quando Patrick Peter relançou o evento como uma retrospectiva histórica, focada em carros que participaram da prova original entre 1951 e 1973. Desde então, tornou-se um marco para grandes colecionadores e celebridades, incluindo nomes como Rowan Atkinson (Mr. Bean) e Guy Berryman (Coldplay).








A edição 2026: destaques e percurso

A 35ª edição histórica, disputada de 3 a 9 de maio de 2026, teve como grandes estrelas o BMW 2002 e a Ferrari 250, por exemplo. O evento começou com uma exposição majestosa sob a claraboia do Grand Palais, em Paris, nos dias 3 e 4 de maio.

O roteiro da aventura: mais de 230 carros clássicos percorreram as mais belas rotas da França, saindo de Paris rumo ao sul:

5 de maio: partida oficial no Château de Courances, passagem pelo circuito de Magny-Cours e pernoite em Clermont-Ferrand.

6 de maio: travessia do Massif Central com chegada ao icônico Pont du Gard.

7 de maio: rumo ao Sudoeste, com provas no circuito de Albi e chegada em Toulouse.

8 de maio: a etapa "Maratona" em direção aos Pirenéus, com disputa no circuito de Pau-Arnos e chegada em Pau.

9 de maio: o epílogo atravessa o País Basco, passa pelo circuito de Nogaro e termina com uma celebração triunfal em Biarritz, de frente para o oceano.








Categorias e regras

Os competidores são divididos em cinco grupos, competindo em duas modalidades principais:

Competição: focada na velocidade pura. Os carros devem seguir as normas da FIA (Anexo K). Modelos como AC Cobra e Ford GT40 costumam liderar esta categoria.

Regularidade: o objetivo não é ser o mais rápido, mas sim o mais preciso. Os pilotos devem manter uma média de velocidade pré-definida (rápida, média ou lenta) e tentar igualar tempos de referência. Curiosamente, são permitidos apenas instrumentos de bordo originais e cronômetros mecânicos.

Há também o Índice de Performance, um ranking que utiliza coeficientes baseados na idade e cilindrada do motor, permitindo que carros mais antigos e menos potentes disputem a vitória contra modelos mais modernos.








Veículos elegíveis: do popular ao protótipo

O Tour Auto aceita modelos que marcaram a prova original entre 1951 e 1984. A lista é vasta e democrática, incluindo desde o popular Citroën 2CV e o Renault 4CV até máquinas de alto desempenho como o Lamborghini Miura, Lancia Stratos, BMW M1 e diversos modelos da Alfa Romeo, Porsche e Aston Martin.



O evento é altamente acessível aos fãs:

Acesso aos vilarejos e parques fechados: Disponível mediante a apresentação do programa oficial, vendido por 15 Euros.

Circuitos: as provas em circuitos (Magny-Cours, Albi, Pau-Arnos e Nogaro) têm entrada gratuita para o público.

Eventos em paris: no domingo, 3 de maio, há uma parada excepcional de 160 carros pelos Champs-Élysées, escoltada pela Guarda Republicana, entre as 8h e 10h. Na segunda-feira, 4 de maio, ocorre o tradicional leilão da casa Aguttes no Grand Palais.




Brasil no Tour Auto 2026 – a participação de Franco Pedrazzi e André Pires Oliveira Dias








A edição do Tour Auto 2026 contou com a participação do Team Pedrazzi, que inscreveu o Porsche 911 2.3L ST ano 1970 na sua clássica pintura amarela e número 283, para o desafio dessa tradicional competição. Franco Pedrazzi competiu como navegador ao lado de André Pires Oliveira Dias.




Franco Pedrazzi gentilmente relatou com exclusividade para o Blog como foi a experiência de competir no Tour Auto 2026:


O Tour Auto é praticamente uma reinvocação da prova de verdade que existia na época, contando com os próprios carros de corrida originais. É um evento que reúne tanto carros de rali quanto carros de pista. No passado, a prova já contou com modelos como o 907, o 910 e o Matra; neste ano, inclusive, correu conosco um Alfa 33.

Todos os anos, a largada oficial acontece em Paris. De lá, descemos praticamente a França inteira. O destino final varia: em algumas edições a chegada é em Nice, na costa do Mar Mediterrâneo, mas este ano o percurso atravessou o país até o outro lado, terminando em Biarritz, na costa do Oceano Atlântico.



A Rotina e a dinâmica das provas

A rotina da prova é extremamente puxada e sem pausas (um verdadeiro non-stop). Passamos muito tempo dentro do carro e, ao final, completamos mais de 3.000 quilômetros rodados.

Um dia típico funciona da seguinte maneira:

06:00 – Despertar.

07:00 – Início das largadas dos carros, um a um.

Ao longo do dia – deslocamento pelas ruas normais — sempre num ritmo forte e sob competição (no "pau"). Em muitos momentos, contamos com o apoio e escolta da polícia para abrir o trânsito.

Diariamente, enfrentamos três provas especiais:

Duas subidas de montanha: trechos fechados ao tráfego, com média de 15 quilômetros cada, onde o objetivo é fazer o menor tempo possível. É uma condução rápida e no limite.

Uma prova em circuito (pista): consiste em cerca de 20 minutos de corrida em um autódromo.

Entre uma especial e outra, realizamos os trechos de ligação (transferências) por vias públicas, que chegam a somar uns 400 quilômetros por dia. Até o almoço segue esse ritmo frenético: paramos em uma tenda ou local indicado pela organização, comemos rapidamente assim que chegamos e já voltamos direto para o carro para continuar a corrida. Não há tempo para relaxar.

A jornada diária termina por volta das 22:00 ou 22:30, quando chegamos ao Parc Fermé (Parque Fechado). A partir da chegada, a equipe de assistência tem um limite rigoroso de duas horas para revisar e dar manutenção no carro; depois disso, ninguém mais pode tocá-lo. Na sequência, dormimos o pouco que nos resta de tempo até o despertador tocar novamente e recomeçar tudo.



Desempenho e Resultados

No geral, andamos muito bem e tivemos ótimos tempos, figurando constantemente entre os três primeiros colocados nas provas especiais — inclusive com o nosso ST. O carro se comportou de forma excelente e o único contratempo mecânico que tivemos foi um pequeno problema no câmbio, o qual conseguimos substituir com sucesso durante a noite.

Felizmente, não sofremos nenhum acidente. Isso é uma grande vitória, pois batidas são extremamente comuns no Tour Auto, dado que as estradas de montanha são muito estreitas, sinuosas e desafiadoras. Quem tiver curiosidade pode buscar por vídeos do "Tour Auto 2026" no YouTube para ver a quantidade de acidentes e também para nos encontrar em algumas das imagens.

Apesar do ótimo ritmo na pista, sofremos uma dura penalidade logo no primeiro dia, no circuito de Magny-Cours. Após deixarmos o carro com a assistência para trocar os pneus e fazer a checagem, demoramos para carimbar o nosso "passaporte" de controle de tempos. Não chegamos atrasados ao local, mas o carimbo foi feito fora do prazo regulamentar, o que nos custou uma punição de mais de 5 minutos. Essa penalidade minou nossas chances de brigar pelo pódio e nos jogou para a 7ª colocação geral ao final do evento.










O Porsche 911 2.3L ST de Franco Pedrazzi e André Pires Oliveira Dias






Uma Experiência Única

Apesar do resultado final ter sido afetado pela punição, a aventura foi fantástica. Formamos uma equipe 100% brasileira, composta por mim e pelo André. Embora seja uma rotina exaustiva com muita rodagem, passamos por lugares absolutamente fantásticos. É uma prova sem igual e uma experiência ímpar de se participar.













André Pires Oliveira Dias conduziu o Porsche 911 do Team Pedrazzi





No destaque, Franco Pedrazzi
































sábado, 9 de maio de 2026

Voa, Águia, Voa! - Entre cálculos e curvas: uma vida vivida em alta velocidade


O piloto e engenheiro Luiz Evandro "Aguia" lança "Voa, Águia, Voa - Histórias de uma paixão pelo automobilismo", publicado pela Editora Labrador (ISNB 978-65-5044-267-5), com apoio da ArcelorMittal, a obra que combina memórias das pistas com um relato pessoal marcado por equilíbrio e intensidade.






Mais que um livro sobre automobilismo, a obra percorre a trajetória completa do autor: da infância e formação acadêmica até a consolidação como engenheiro, sempre em paralelo à dedicação ao esporte.


"Acreditei, batalhei e conquistei meu caminho - nas pistas, na engenharia e na vida em família . No fim, posso dizer com orgulho sou um feliz vencedor "


A narrativa destaca o desafio de conciliar três frentes exigentes - estudos, profissão, família e automobilismo - em uma rotina que exigia disciplina e, ao mesmo tempo coragem para assumir riscos nas pistas


O lançamento oficial ocorreu em 05 de maio de 2026, após uma noite de autógrafos realizada em 23 de abril, na Livraria da Vila do Shopping Iguatemi JK em São Paulo, que reuniu cerca de 85 convidados entre amigos, pilotos, entusiastas e alguns amigos jornalistas.


Ao longo do livro, o autor compartilha bastidores histórias e reflexões que vão além da velocidade , abordando valores como responsabilidade, superação e paixão.


Com novos eventos previstos para os próximos meses em clubes de antigomobilismo, empresas, "VOA, ÁGUIA, VOA" se posiciona como uma obra que ultrapassa o universo esportivo e se apresenta como um relato de vida - vivido, em todos os sentidos, em alta velocidade.






Mini bio do autor:

Luiz Evandro "Águia" Campos é piloto de automobilismo e engenheiro, com trajetória marcada pela conciliação entre carreira profissional, vida familiar e paixão pelas pistas. Representante de uma geração que viveu intensamente o automobilismo brasileiro e Internacional, reúne em sua história experiências que combinam disciplina, coragem e dedicação.


Link para compra:
https://www.amazon.com.br/Voa-%C3%81guia-voa-Hist%C3%B3rias-automobilismo/dp/6550442672


Instagram- @LuizEvandroAguia72
Facebook- Luiz Evandro Aguia
email - eaglecampos@gmail.com - Whatsapp: 11.98196.4520


domingo, 3 de maio de 2026

Três décadas de um ícone: a saga da família Fiat Palio (1996–2026)






Há exatamente 30 anos, as estradas brasileiras conheciam um design que romperia com o pragmatismo das linhas retas. Em abril de 1996, a Fiat lançava o Palio, um projeto ambicioso que não visava apenas substituir o veterano Uno, mas criar uma plataforma global capaz de encarar desde o asfalto europeu até as trilhas de terra do interior de Minas Gerais.


A concepção: o Projeto 178

Diferente de outros modelos que eram adaptações de carros europeus para o Brasil, o Palio nasceu de uma folha de papel em branco com foco global. O desenvolvimento foi liderado pelo centro de estilo da Fiat na Itália, mas com intensa participação da engenharia brasileira. O objetivo era criar uma plataforma versátil (o Projeto 178) que pudesse dar origem a uma família completa: hatch (Palio), sedã (Siena), station wagon (Palio Weekend) e picape (Strada).

O design assinado pelo renomado estúdio I.DE.A Institute trouxe linhas arredondadas, rompendo com o visual "caixote" do Uno e seguindo a tendência "bio-design" que dominava os anos 90.


O Lançamento e as versões iniciais (1996)

Em abril de 1996, o Palio foi apresentado oficialmente ao mercado brasileiro. Diferente da estratégia comum de oferecer apenas uma motorização, a Fiat chegou com três opções distintas para diferentes perfis de público:


Palio ED (Economic Drive): a versão de entrada, equipada com o motor Fiasa 1.0 de 61 cv. Focada em economia, trazia acabamento simples, mas já com o design moderno.


Palio EDX: uma versão intermediária também 1.0, mas que permitia a inclusão de mais opcionais, visando o consumidor que queria um carro popular com mais conforto.


Palio EL: a versão topo de linha no lançamento, equipada com o motor 1.5 (também da família Fiasa) de 76 cv, oferecendo um desempenho superior para a época.


Palio 1.6 16V: meses após o lançamento inicial, chegava a versão equipada com o motor Torque importado da Itália. Com 106 cv, ele transformou o Palio no compacto mais potente e veloz do Brasil naquele momento.















Inovações: elevando o padrão do "Carro Popular"


O Palio não venceu a concorrência apenas pelo design, mas por introduzir tecnologias e conceitos de segurança que eram restritos a carros de categorias superiores:


Segurança democratizada: foi o primeiro carro nacional do segmento de entrada a oferecer Airbag duplo e freios ABS como opcionais em 1996.


Proteção contra fogo: introduziu o sistema FPS (Fire Prevention System), que interrompia o fluxo de combustível em caso de colisão, reduzindo o risco de incêndios.


Ergonomia e conforto: o interior foi projetado com materiais de melhor qualidade e uma posição de dirigir superior aos rivais da época, além de oferecer ar-condicionado e direção hidráulica em versões onde os concorrentes ainda eram muito básicos.


A família completa: a rapidez com que a Fiat lançou a Weekend (1997), o Siena (1997) e a Strada (1998) baseados na mesma plataforma foi uma inovação logística e de mercado, garantindo que houvesse um "Palio" para cada necessidade.


















O Coração da máquina: a evolução sob o capô

Se o design atraía os olhos, foi a variedade de motores que conquistou a confiança dos brasileiros. A trajetória mecânica da família Palio é uma aula de adaptação:


A era Fiasa e Sevel (anos 90): o Palio estreou com o valente 1.5 Fiasa, mas o brilho ficava para o 1.6 16 válvulas Sevel de 106 cavalos; importado da Argentina, ele transformava o compacto em um "foguete" de bolso.


A Revolução Fire (2000): o motor Fire chegou para ser a espinha dorsal da Fiat: leve, econômico e com uma manutenção tão simples que se tornou o favorito dos mecânicos.


A Parceria com a GM (2003–2010): uma união estratégica trouxe o motor 1.8 Powertrain da General Motors. Com torque vigoroso, deu vida ao Palio 1.8R e às Strada Adventure.


A Modernidade E.torQ (2010 em diante): motores com comando por corrente e funcionamento suave, que deram o refinamento necessário para o Novo Palio (2011) e o Grand Siena.



Curiosidades técnicas: inovação brasileira


O Palio não foi apenas "mais um" carro; ele trouxe pioneirismos técnicos para o nosso mercado:


Frente em "cunha": o projeto 178 foi um dos primeiros populares testados exaustivamente em túneis de vento para reduzir o ruído aerodinâmico e o consumo.


Suspensão reforçada: o Palio Weekend Adventure introduziu a suspensão elevada com amortecedores de maior curso, uma solução de engenharia brasileira que depois foi exportada para modelos da Fiat em todo o mundo.


Eletrônica de ponta: foi um dos primeiros de sua classe a adotar o sistema Venice (sistema multiplex), que reduzia a quantidade de fios no chicote elétrico, centralizando as funções em módulos eletrônicos.



Uma família de recordes (números de produção)


Os números da família Palio são colossais. Ao longo de sua existência, a linha 178 e 326 alcançou marcas históricas:


Vendas no Brasil: o Palio foi o carro mais vendido do Brasil em 2014, interrompendo uma hegemonia de 27 anos do VW Gol.


Produção global: Estima-se que mais de 9 milhões de unidades de toda a família (Palio, Siena, Weekend e Strada) tenham sido produzidas globalmente.


Liderança inabalável: a picape Strada, derivada direta do projeto original, manteve-se na liderança de sua categoria por mais de 20 anos consecutivos, um feito raríssimo na indústria mundial.

Modelo

Versão Icônica

Diferencial Técnico

Palio

1.8R

Cintos vermelhos e acerto de suspensão esportivo

Siena

Tetrafuel

Primeiro carro do mundo a rodar com 4 combustíveis de fábrica

Weekend

Adventure Locker

Sistema de bloqueio eletrônico do diferencial (ELD)

Strada

Cabine dupla

Introdução da 3ª porta para facilitar o acesso traseiro











































Do Brasil para o Mundo



Embora o coração da produção fosse Betim (MG), o DNA brasileiro viajou o globo. O modelo foi fabricado em países como Turquia, Índia, China, África do Sul, Egito e Argentina. Na Europa Oriental, o Siena evoluiu para o Fiat Albea, enquanto na China o design foi adaptado sob a marca Nanjing Fiat Perla.


O Legado de 30 Anos

O Palio despediu-se em 2018, abrindo caminho para o Argo e o Mobi. A Weekend resistiu até 2020 e a plataforma original só descansou totalmente quando a Nova Strada assumiu o posto.


Trinta anos depois, o Fiat Palio não é apenas uma memória; ele continua vivo nas garagens e na história de milhões de brasileiros. Foi o carro que ensinou o Brasil que um "popular" poderia ser tecnológico, seguro e, acima de tudo, extremamente versátil.



O Renascer do "R": a Trajetória do Fiat Palio 1.8R (2005–2010)


Em 2005, a Fiat decidiu que era hora de apimentar o mercado nacional e homenagear seu próprio passado. Após o hiato de esportivos puros na linha Palio, surgiu o 1.8R. Com um visual provocativo e o motor mais forte da época para o modelo, ele não era apenas um "pacote de adesivos", mas um carro com alma entusiasta que hoje, ao completarmos 30 anos da família Palio, atinge o status de clássico moderno.



O coração do esportivo: especificações técnicas


Diferente das versões convencionais, o 1.8R utilizava o motor 1.8 8v Flex (família I da GM), mas com um acerto eletrônico que o deixava mais "esperto".


Motor: 1.8 8v High Torque (Flex).
Potência: 113 cv (Gasolina) / 115 cv (Etanol) a 5.500 rpm.
Torque: 17,8 kgfm (G) / 18,5 kgfm (E) a 2.800 rpm.
Transmissão: Manual de 5 marchas com relações mais curtas para arrancadas vigorosas.


Performance: números que baseiam a letra "R"

O Palio 1.8R entregava um desempenho que colocava muitos sedans médios "no chinelo" na época:

0 a 100 km/h: aproximadamente 9,2 segundos (com etanol).

Velocidade máxima: 191 km/h.

Peso/Potência: 8,7 kg/cv (um número excelente para a categoria).



A esportividade nos detalhes: equipamentos e estética


O que diferenciava o 1.8R era o cuidado visual e técnico. Ele vinha equipado com:

Cintos de segurança vermelhos: O detalhe mais icônico do interior e que remete ao passado dos Unos 1.5R, 1.6R e Turbo.

Painel de instrumentos: grafismo exclusivo com iluminação âmbar e fundo cinza.

Suspensão: um acerto exclusivo, 12mm mais baixa e com molas/amortecedores mais rígidos para melhorar a estabilidade em curvas.

Estética: rodas de liga leve aro 14 (depois aro 15) em cinza chumbo, máscara negra nos faróis, aerofólio traseiro e as faixas laterais com o logotipo "1.8R".


Cores e exclusividade

O Palio 1.8R foi disponibilizado em cores que destacavam sua proposta esportiva. As mais famosas foram:

Vermelho Modena (a cor de lançamento e mais icônica).
Amarelo Indianápolis (rara e extremamente valorizada por colecionadores).
Preto Vesúvio.
Prata Bari.


Anos de produção e mercado


Lançamento: final de 2005 (como modelo 2006) na carroceria G3.

Evolução: em 2007, adotou o visual da carroceria G4, mantendo a receita mecânica até sair de linha em 2010.

Volume de produção: embora a Fiat não divulgue números exatos por versão específica, estima-se que as unidades sobreviventes em bom estado (especialmente com os cintos vermelhos originais) representem menos de 2% da frota total de Palios daquela época, tornando-o um veículo de nicho.


















A era de ouro do Fiat Palio: uma trajetória de sucesso e velocidade nas pistas brasileiras



Lançado em abril de 1996 como o "Projeto 178", o Fiat Palio não demorou a transferir seu sucesso das concessionárias para os autódromos brasileiros. Durante quatro temporadas intensas, entre 1996 e 1999, o hatch foi o protagonista da categoria monomarca da Fiat, consolidando-se como um ícone do automobilismo nacional e servindo de palco para disputas memoráveis entre veteranos e jovens talentos.

O Início: a sucessão do Uno e o título de Xandy Negrão (1996)

O Palio estreou nas pistas em 1996, substituindo o Uno Turbo como o carro principal da Fórmula Fiat de Turismo. Com uma preparação que elevava o motor 1.6 para 124 cavalos e pneus slick Pirelli P-Zero, o modelo foi elogiado por sua rigidez e estabilidade em comparação ao seu antecessor. A primeira vitória histórica da categoria aconteceu em Tarumã, conquistada pelo gaúcho Renato Conill. No entanto, a regularidade de Xandy Negrão prevaleceu, e ele sagrou-se o primeiro campeão da era Palio, quebrando um jejum pessoal de dez anos sem títulos.


Expansão e drama nos tribunais (1997)

Em 1997, a categoria cresceu, sendo dividida em divisões "A" e "B", com grids que somavam mais de 80 carros. O ano foi marcado pela chegada de lendas como Ingo Hoffmann e Paulão Gomes. A temporada da categoria "A" terminou em polêmica: embora Paulão Gomes tenha sido inicialmente declarado campeão, uma decisão do tribunal da CBA, proferida quase um ano depois, devolveu a vitória da última etapa a Beto Giorgi, garantindo-lhe o título de 1997. Na categoria "B", o jovem André Bragantini Jr. começou a trilhar seu caminho de sucesso, levando o caneco para casa.


A consolidação e a evolução técnica (1998-1999)

A temporada de 1998 viu o Palio ganhar mais potência, com os motores recebendo um incremento de cerca de cinco cavalos. O gaúcho Waldir Buneder, após três anos de tentativas, finalmente conquistou o título da categoria "A", enquanto Luizito Massa venceu uma disputa sensacional na categoria "B" contra Luciano Zangirolami.

O ciclo encerrou-se em 1999 com a "Copa Banco Real Fiat de Turismo". Apesar de ter sido um ano difícil financeiramente, com o campeonato começando apenas em agosto, o nível técnico era altíssimo. Os carros, agora equipados com motores 1.6 de 16 válvulas e 132 cavalos, atingiam velocidades próximas de 200 km/h. André Bragantini Jr. confirmou seu talento ao conquistar o título da categoria "A" em uma disputa acirrada contra Antônio Jorge Neto, decidida por apenas um ponto de diferença.

Legado nas pistas

A trajetória do Fiat Palio nas competições monomarca deixou um legado de profissionalismo e visibilidade para o esporte. Mais do que um carro de corrida, o Palio foi um laboratório de engenharia e uma escola de pilotagem que manteve a Fiat como uma das montadoras mais engajadas no automobilismo brasileiro da década de 1990.












Do cascalho ao topo: a hegemonia do Fiat Palio nos ralis de velocidade



Se nas ruas o Fiat Palio conquistou o brasileiro pelo design e economia, nas trilhas de terra e cascalho ele construiu uma reputação de indestrutível. Ao completar 30 anos de história, não se pode falar do Palio sem mencionar sua trajetória vitoriosa no Campeonato Brasileiro e Sul-Americano de Rally de Velocidade, onde o modelo se tornou a maior força das categorias de tração simples (4x2) por mais de uma década.


A escola de campeões

A incursão do Palio no rali começou quase simultaneamente ao seu lançamento. A Fiat percebeu que a suspensão traseira com braços arrastados e a robustez do motor 1.6 16v eram a base perfeita para a competição. No final dos anos 90, surgiu a Fórmula Palio, uma categoria monomarca que serviu de porta de entrada para muitos pilotos e provou que o hatch aguentava o "desaforo" das pistas de terra.


A era Luis Tedesco e a equipe Fiat Rally

O nome que se tornou sinônimo de Palio no rali foi o do catarinense Luis Tedesco. Sob o comando da equipe Fiat Rally (TedRacing), o modelo empilhou títulos.

Domínio Nacional: o Palio conquistou o impressionante recorde de 10 títulos consecutivos no Campeonato Brasileiro de Rally.

Polivalência: o carro venceu em diferentes categorias, desde a N2 (motores 1.6 com preparação limitada) até a N3 (motores 2.0 ou 1.8 com maior liberdade técnica).

Sucesso internacional: o Palio não brilhou apenas no Brasil; ele foi campeão sul-americano e teve participações de destaque em países como a Turquia, reafirmando sua vocação de "carro mundial" também nas pistas.


Curiosidades das pistas

O laboratório do Biocombustível: Em 2008, o Palio 1.8R de rali foi pioneiro ao vencer provas utilizando biocombustível, servindo de teste para as tecnologias que chegariam aos carros de rua anos depois.

O terror dos importados: mesmo sendo um carro de tração 4x2, o acerto de suspensão desenvolvido pela equipe brasileira era tão eficiente que, em trechos muito travados e sinuosos, o Palio chegava a registrar tempos próximos aos dos carros de tração integral (4x4) e motores turbo.

A transmissão de conhecimento: muitos dos reforços estruturais e calibrações de amortecedores que vimos na linha Adventure (Weekend e Strada) foram inspirados nas lições aprendidas saltando rampas e encarando pedregulhos nos ralis de Erechim e da Graciosa.


Pilotos que fizeram história

Além de Luis Tedesco, nomes como Fábio Dall’Agnol, Rafael Túlio e Reinaldo Varela (que mais tarde brilharia no Dakar) levaram o Palio ao lugar mais alto do pódio. Eles transformaram o "carro da família" em um bólido respeitado, capaz de suportar saltos de metros de altura e continuar acelerando a fundo.

O legado nas pistas

Hoje, em 2026, é comum ver unidades do Palio ainda competindo em campeonatos regionais e provas de "Rally de Regularidade". Para os colecionadores e entusiastas de motorsport, um Palio com o selo de competição da época ou as raras versões de rua que homenageavam as pistas são verdadeiras relíquias.

O Palio não apenas correu; ele ensinou uma geração de pilotos brasileiros a dominar o cascalho e provou que, com a engenharia certa, um carro popular pode sim ter o DNA de um campeão.