Sabe aqueles jogos de futebol em que você pode escolher um time das lendas? Ou simplesmente selecionar um jogador que teve uma fase histórica para jogar no seu time dos sonhos, como o Pelé de 1958 ou o Pelé de 1970?
Pois é. Se houvesse um jogo da Stock Car para várias plataformas, o Ingo Hoffman seria praticamente um personagem jogável em todas as temporadas em que conquistou o título.
Foram 12 campeonatos, 77 vitórias e um legado enorme. Porque o Ingo não deixou apenas estatísticas no asfalto para mostrar o seu domínio. Ele colocou o próprio nome na história da categoria de uma maneira extremamente competitiva.
Ingo sempre esteve brigando pelas primeiras posições e, com isso, construiu rivalidades históricas com nomes como Chico Serra, Paulo Gomes e Marcos Gracia.
E essa trajetória também passa pelas grandes mudanças que a Stock Car sofreu ao longo dos anos, principalmente nas características dos carros e dos circuitos.
Em Interlagos, por exemplo, quando a Stock Car começou, em 1979, a Curva do Sol era tomada para a direita, com uma tangência mais fechada. Nos últimos anos da carreira do Ingo, ela já era feita para a esquerda, seguindo o traçado utilizado pela Fórmula 1, com uma tangência de alta velocidade.
Ou seja: ele viveu duas características completamente diferentes do mesmo circuito — e também com carros completamente diferentes.
Ingo começou pilotando os antigos Opalas e conquistou seu último título, em 2002, já na era dos Astras.
E entre esses dois momentos, passou por praticamente todas as grandes fases da categoria. Pilotou o famoso Opala conhecido como “Batmóvel”, na década de 1980, e também competiu com o Omega, que marcou parte importante da Stock Car nos anos 1990.
Foi campeão em 1980 e voltou a ser campeão em 2002. Uma carreira de mais de duas décadas no topo.
E Ingo também ajudou, mesmo que involuntariamente, a construir a história da Stock Car na televisão brasileira.
Em uma edição do Globo Esporte de 1980, ele aparece como vencedor de uma das provas de Interlagos, em uma das primeiras reportagens sobre a categoria exibidas pela TV.
Mais de duas décadas depois, em 2002, com a Stock Car já completamente consolidada, o próprio Globo Esporte mostrava Ingo conquistando o seu 12º título.
Então, além de ser um piloto extremamente vencedor, estamos falando de alguém que acompanhou a evolução do esporte em várias frentes: a evolução dos carros, dos circuitos e também da própria mídia esportiva.
E existe um ponto que, acredito, o pessoal do Entusiastas Sobre Rodas vai lembrar muito bem durante a entrevista da próxima segunda-feira, às 20 horas, no canal do YouTube: a capacidade de pilotagem do Ingo em todas essas gerações de carros.
Porque, mesmo com tantas mudanças, ele nunca deixou de ganhar.
Foi campeão na década de 1980, na década de 1990 e também nos anos 2000.
Só não foi campeão na década de 1970 porque a Stock Car teve apenas uma temporada naquele período: a temporada inaugural de 1979.
Depois disso, em todas as décadas em que a categoria seguiu em frente, Ingo também seguiu em frente — vencendo, brigando pelas primeiras posições e protagonizando a história do campeonato.
Das traseiradas com o Opala às aceleradas fortes com o Omega e, posteriormente, com o Astra, Ingo Hoffman foi uma constante dentro da Stock Car.
E é justamente essa história que vamos ouvir na próxima segunda-feira, às 20 horas, no Entusiastas Sobre Rodas.

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