BMW e Mercedes-Benz ampliam a diversidade técnica da principal categoria argentina, enquanto Otto Fritzler lidera o campeonato geral e Facundo Chapur assume a ponta da Copa de Oro após 12 etapas.
A temporada 2026 do Turismo Carretera confirma a capacidade de renovação de uma das categorias mais tradicionais do automobilismo mundial. Com sete fabricantes representados, carros de silhueta inspirados em modelos de produção, motores de competição regulamentados pela ACTC e um sistema de campeonato que reserva as cinco últimas etapas para a decisão da Copa de Oro, a categoria argentina apresenta uma combinação particular de história, tecnologia e disputa esportiva.
Ford, Chevrolet, Dodge, Torino e Toyota dividem o grid com dois novos projetos que ampliaram o interesse técnico da temporada: BMW e Mercedes-Benz. A entrada do BMW M4 e do Mercedes-AMG CLE 53 acrescentou novas referências visuais e construtivas a uma categoria que procura manter a paridade entre marcas com dimensões, carrocerias e características distintas.
Após a 12ª etapa, disputada em San Nicolás, Otto Fritzler lidera o campeonato argentino com 332 pontos. Jonatan Castellano aparece em segundo, com 319, enquanto Agustín Canapino ocupa a terceira posição, com 317. Na Copa de Oro Río Uruguay Seguros, entretanto, a situação é diferente: Facundo Chapur assumiu a liderança com 82,5 pontos, apenas 1,5 à frente de Julián Santero.
Com três etapas restantes — Rosario, Río Cuarto e La Plata —, a definição do título permanece aberta.
Os sete modelos do Turismo Carretera
O regulamento técnico de 2026 reconhece sete modelos: Mercedes-Benz CLE 53 AMG Coupé, BMW M4 Coupé, Toyota Camry, Chevrolet Camaro, Ford Mustang, Dodge Challenger e Torino NG.
Apesar da aparência associada aos veículos de produção, os carros são estruturas de competição fabricadas por fornecedores autorizados, com carrocerias homologadas, componentes padronizados e dimensões determinadas pela ACTC. O objetivo é preservar a identidade visual de cada fabricante sem permitir que diferenças entre os modelos de rua determinem diretamente o desempenho em pista.
Ford Mustang
O Mustang representa a Ford com motor de 3.430 cm³ e peso mínimo regulamentar de 1.310 kg. O modelo tem entre-eixos permitido entre 2.750 e 2.810 mm, conforme as especificações técnicas da categoria.
A marca conta com nomes tradicionais do campeonato, entre eles Mariano Werner, que venceu em Termas de Río Hondo e San Luis, e outros pilotos que disputam regularmente as primeiras posições.
Chevrolet Camaro
O Camaro utiliza motor de 3.460 cm³, peso mínimo de 1.310 kg e entre-eixos permitido entre 2.789 e 2.849 mm.
A Chevrolet continua representada por pilotos de destaque, como Agustín Canapino e Christian Ledesma. Canapino venceu em Neuquén e permanece entre os três primeiros do campeonato geral, enquanto Ledesma também figura entre os dez primeiros.
Dodge Challenger
O Challenger utiliza motor de 3.500 cm³ e peso mínimo de 1.310 kg, com entre-eixos entre 2.789 e 2.849 mm. Seu splitter dianteiro possui dimensão regulamentar distinta da maioria dos modelos, com 80 mm.
Jonatan Castellano é um dos principais representantes da Dodge e ocupa a segunda posição na classificação geral após San Nicolás.
Torino Nueva Generación
O Torino NG é o representante de um dos nomes mais emblemáticos da história automobilística argentina. Seu motor tem 3.550 cm³, a maior cilindrada entre os sete modelos, e o peso mínimo regulamentar é de 1.300 kg.
O entre-eixos permitido varia entre 2.789 e 2.840 mm. A carroceria segue as medidas homologadas para o projeto, com componentes específicos fornecidos pela estrutura autorizada da categoria.
Em 2026, Ignacio Faín e Facundo Chapur ganharam protagonismo com o Torino. Faín conquistou em San Nicolás sua primeira vitória no Turismo Carretera, com Chapur em segundo, resultado que colocou dois Torino nas primeiras posições.
Toyota Camry
O Camry utiliza motor de 3.500 cm³, peso mínimo de 1.310 kg e entre-eixos entre 2.789 e 2.840 mm.
A Toyota faz parte da geração de modelos que ampliou a diversidade técnica da categoria nos últimos anos. Matías Rossi e Luis José Di Palma estão entre os pilotos que representam a marca na temporada.
BMW M4 Coupé
A BMW estreou na nova configuração do campeonato com o M4 Coupé, equipado com motor de 3.430 cm³ e peso mínimo de 1.310 kg. O entre-eixos regulamentar está entre 2.750 e 2.810 mm.
Julián Santero é o principal nome do projeto. Sua vitória em Viedma marcou a primeira conquista de um BMW na história do Turismo Carretera. Mesmo fora dos 12 primeiros da classificação geral após a etapa regular, Santero entrou na disputa da Copa de Oro como um dos pilotos de último minuto e ocupa a segunda posição no minitorneio após San Nicolás.
Mercedes-Benz CLE 53 AMG Coupé
A Mercedes-Benz participa com o CLE 53 AMG Coupé, modelo equipado com motor de 3.500 cm³, peso mínimo de 1.310 kg e entre-eixos entre 2.789 e 2.840 mm.
Otto Fritzler é o principal representante do projeto e conquistou a vitória em Posadas. Com uma sequência consistente de resultados, o piloto chegou à fase decisiva como um dos candidatos ao título e ocupa a liderança do campeonato geral.
Ficha técnica comparativa
Ford Mustang
3.430 cm³
1.310 kg
2.750–2.810 mm
Chevrolet Camaro
3.460 cm³
1.310 kg
2.789–2.849 mm
Dodge Challenger
3.500 cm³
1.310 kg
2.789–2.849 mm
Torino NG
3.550 cm³
1.300 kg
2.789–2.840 mm
Toyota Camry
3.500 cm³
1.310 kg
2.789–2.840 mm
BMW M4
3.430 cm³
1.310 kg
2.750–2.810 mm
Mercedes-Benz CLE 53
3.500 cm³
1.310 kg
2.789–2.840 mm
Os valores de peso são os mínimos regulamentares, incluindo piloto equipado e os líquidos remanescentes previstos no procedimento de pesagem. Lastros por desempenho são acrescentados conforme as regras esportivas.
Motores e regulamento técnico
O regulamento técnico estabelece cilindradas específicas para cada fabricante, limite máximo de 8.500 rpm e relação de compressão de 10,5:1 para todas as marcas.
Os componentes internos estão sujeitos a especificações de medidas, materiais e pesos. O comando de válvulas é homologado e fornecido pela estrutura autorizada, enquanto a tampa de cilindros também segue homologação própria e não admite modificações livres.
A categoria permite o uso de caixas de câmbio de seis marchas à frente e uma marcha à ré, incluindo os modelos Sáenz TT3, Sadev BV6SCL924 e 3MO-TXL, respeitando as relações estabelecidas no regulamento.
Na aerodinâmica, o splitter dianteiro é homologado e possui medidas diferentes conforme o modelo. BMW, Ford Mustang, Chevrolet Camaro, Toyota Camry e Mercedes-Benz utilizam a medida de referência de 40 mm; Dodge Challenger e Torino NG têm autorização para 80 mm. A altura mínima regulamentar do conjunto de piso e splitter é de 60 mm, com a tolerância prevista no documento técnico.
A asa traseira também possui dimensões definidas por modelo. O conjunto aerodinâmico é limitado aos componentes expressamente autorizados pela ACTC, evitando soluções livres que poderiam ampliar diferenças entre os carros.
O peso mínimo é de 1.310 kg para seis dos sete modelos, enquanto o Torino NG tem limite de 1.300 kg. O regulamento determina que a pesagem seja feita com o piloto, equipamento de segurança, líquidos e combustível remanescente, sem adição posterior de fluidos.
Como funciona o fim de semana
O formato habitual prevê dois treinos no sábado, com sessões de 20 e 30 minutos por grupo, seguidos de classificação em sessões de oito minutos para cada quarto do grid.
No domingo são disputadas três séries classificatórias de cinco voltas cada. A final normalmente tem 25 voltas ou duração máxima de 50 minutos, com exceções previstas para provas especiais e determinados circuitos.
A classificação concede dois pontos ao piloto mais rápido. As séries distribuem pontos aos dez primeiros, e a final concede 40 pontos ao vencedor, com pontuação decrescente para as posições seguintes. Na última etapa do campeonato, os pontos previstos para as sessões e para a final recebem acréscimo de 50%.
O regulamento também estabelece lastro por vitória. Antes da Copa de Oro, o primeiro triunfo acrescenta 25 kg, a segunda vitória aumenta o lastro em mais 10 kg e a terceira acrescenta mais 5 kg. Na fase decisiva, os vencedores mantêm a regra específica de lastro da Copa, com limite total de 40 kg.
As 12 etapas realizadas
1º - 15/02 - El Calafate - Nicolás Moscardini
2º - 08/03 - Viedma - Julián Santero
3º - 29/03 - Neuquén - Agustín Canapino
4º - 19/04 - Concepción del Uruguay - Santiago Mangoni
5º - 10/05 - Termas de Río Hondo - Mariano Werner
6º - 31/05 - Alta Gracia - Facundo Chapur
7º - 21/06 - Rafaela - Valentín Aguirre
8º - 12/07 - Posadas - Otto Fritzler
9º - 02/08 - San Juan Villicum - Tobías Martínez
10º - 23/08 - Paraná - Juan Martín Trucco
11º - 13/09 - San Luis - Mariano Werner
12º - 04/10 - San Nicolás - Ignacio Faín
A temporada começou com um episódio importante em El Calafate. Julián Santero havia cruzado a linha de chegada na frente, mas foi excluído, e Nicolás Moscardini herdou a vitória. Na etapa seguinte, em Viedma, Santero respondeu com o primeiro triunfo da BMW na categoria.
Agustín Canapino venceu em Neuquén, enquanto Santiago Mangoni levou a Chevrolet à vitória em Concepción del Uruguay. Mariano Werner venceu em Termas de Río Hondo e voltou ao topo em San Luis, já na Copa de Oro.
Facundo Chapur ganhou em Alta Gracia, Valentín Aguirre venceu em Rafaela, e Otto Fritzler conquistou a etapa de Posadas com o Mercedes-Benz. O Desafío de las Estrellas, em San Juan, teve Tobías Martínez como vencedor. Em Paraná, Juan Martín Trucco fechou a fase regular com uma vitória importante.
Na etapa de San Nicolás, Ignacio Faín conquistou sua primeira vitória no Turismo Carretera. O piloto do Torino superou a concorrência em uma prova que teve Julián Santero em terceiro e Facundo Chapur em segundo. O resultado fortaleceu a posição de Chapur na Copa de Oro e manteve a disputa aberta.
Campeonato geral após San Nicolás
1º - Otto Fritzler - Mercedes-Benz - 332
2º - Jonatan Castellano - Dodge - 319
3º - Agustín Canapino - Chevrolet - 317
4º - Ignacio Faín - Torino - 296,5
5º - Mariano Werner - Ford - 293,5
6º - Christian Ledesma - Chevrolet - 286
7º - José Manuel Urcera - Mercedes-Benz - 281
8º - Facundo Chapur - Torino - 276,5
9º - Marcos Landa - Chevrolet - 269,5
10º - Matías Rossi - Toyota - 268,5
A classificação geral evidencia o equilíbrio da temporada. Fritzler tem 13 pontos de vantagem sobre Castellano e 15 sobre Canapino. Faín e Werner também permanecem em posições importantes, enquanto Chapur combina a oitava posição geral com a liderança da Copa de Oro.
A Copa de Oro Río Uruguay Seguros
A fase decisiva é formada pelos cinco últimos eventos do campeonato. Após a décima etapa, os 12 primeiros pilotos elegíveis garantiram vaga na Copa de Oro. Três pilotos adicionais são incorporados após a 14ª etapa, conforme o critério de “último minuto”.
O líder da etapa regular recebe 15 pontos de bonificação, e os pilotos classificados que venceram durante a fase inicial recebem oito pontos por vitória. O campeão argentino será o piloto que somar mais pontos na Copa de Oro, desde que tenha conquistado ao menos uma vitória em final durante a temporada.
Após San Nicolás, a classificação da Copa era a seguinte:
1º - Facundo Chapur - Torino - 82,5
2º - Julián Santero* - BMW - 81
3º - Otto Fritzler - Mercedes-Benz - 78
4º - Luis José Di Palma* - Toyota - 69,5
5º - Agustín Canapino - Chevrolet - 64
6º - Mariano Werner - Ford - 59
7º - Ignacio Faín - Torino - 59
8º - Jonatan Castellano - Dodge - 58,5
9º - Marco Dianda* - Dodge - 55,5
10º - Christian Ledesma - Chevrolet - 44
*Pilotos que, após San Nicolás, ocupavam posições de “último minuto” na classificação provisória.
Chapur assumiu a liderança após terminar em segundo lugar em San Nicolás, enquanto Werner perdeu posições ao abandonar quando ocupava a sétima colocação. Santero, por sua vez, voltou a aparecer como um dos principais candidatos ao título, mesmo tendo ingressado na disputa decisiva pelo critério de último minuto.
As três etapas finais
13ª etapa — Rosario, 25 de outubro
O Autódromo Juan Manuel Fangio recebe a próxima prova. A etapa será importante para Chapur defender a liderança da Copa e para Fritzler, Santero e Canapino reduzirem a diferença.
14ª etapa — Río Cuarto, 15 de novembro
O Autódromo Parque Ciudad de Río Cuarto recebe a penúltima etapa. Além dos pontos da corrida, a prova definirá os três pilotos de último minuto que entrarão na disputa final do título.
15ª etapa — La Plata, 6 de dezembro
O Autódromo Roberto José Mouras será o palco da decisão. A final concede 50% mais pontos, e o vencedor da Copa de Oro recebe a bonificação adicional de 200 pontos no fechamento do campeonato argentino.












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