terça-feira, 19 de maio de 2026

O Tour Auto 2026 e a participação especial do Team Pedrazzi



Tour Auto 2026 - a lenda do automobilismo clássico de volta às estradas







O Tour Auto não é apenas uma corrida; é uma celebração viva da história do automóvel. Considerado a versão histórica de uma das competições mais antigas do planeta, o evento combina provas cronometradas em estradas e circuitos, oferecendo uma atmosfera única para entusiastas e colecionadores.



Uma viagem no tempo: a história do Tour

A gênese do evento remonta a 1899, quando foi criado pelo Automobile Club de France sob o nome de Tour de France Automobile. Naquela época, era uma verdadeira aventura de 4.000 quilômetros, testando os limites das máquinas rudimentares.

Após interrupções causadas pelas guerras mundiais, a prova foi retomada em 1951, atingindo o auge da popularidade nos anos 60, quando atraía marcas como Ferrari, Porsche, Jaguar e Mercedes, além de pilotos lendários como Stirling Moss, Henri Pescarolo e Maurice Trintignant. Contudo, a crise do petróleo nos anos 80 enfraqueceu a prova, levando à sua 50ª e última edição "moderna" em 1986.

O renascimento aconteceu em 1992, quando Patrick Peter relançou o evento como uma retrospectiva histórica, focada em carros que participaram da prova original entre 1951 e 1973. Desde então, tornou-se um marco para grandes colecionadores e celebridades, incluindo nomes como Rowan Atkinson (Mr. Bean) e Guy Berryman (Coldplay).








A edição 2026: destaques e percurso

A 35ª edição histórica, disputada de 3 a 9 de maio de 2026, teve como grandes estrelas o BMW 2002 e a Ferrari 250, por exemplo. O evento começou com uma exposição majestosa sob a claraboia do Grand Palais, em Paris, nos dias 3 e 4 de maio.

O roteiro da aventura: mais de 230 carros clássicos percorreram as mais belas rotas da França, saindo de Paris rumo ao sul:

5 de maio: partida oficial no Château de Courances, passagem pelo circuito de Magny-Cours e pernoite em Clermont-Ferrand.

6 de maio: travessia do Massif Central com chegada ao icônico Pont du Gard.

7 de maio: rumo ao Sudoeste, com provas no circuito de Albi e chegada em Toulouse.

8 de maio: a etapa "Maratona" em direção aos Pirenéus, com disputa no circuito de Pau-Arnos e chegada em Pau.

9 de maio: o epílogo atravessa o País Basco, passa pelo circuito de Nogaro e termina com uma celebração triunfal em Biarritz, de frente para o oceano.








Categorias e regras

Os competidores são divididos em cinco grupos, competindo em duas modalidades principais:

Competição: focada na velocidade pura. Os carros devem seguir as normas da FIA (Anexo K). Modelos como AC Cobra e Ford GT40 costumam liderar esta categoria.

Regularidade: o objetivo não é ser o mais rápido, mas sim o mais preciso. Os pilotos devem manter uma média de velocidade pré-definida (rápida, média ou lenta) e tentar igualar tempos de referência. Curiosamente, são permitidos apenas instrumentos de bordo originais e cronômetros mecânicos.

Há também o Índice de Performance, um ranking que utiliza coeficientes baseados na idade e cilindrada do motor, permitindo que carros mais antigos e menos potentes disputem a vitória contra modelos mais modernos.








Veículos elegíveis: do popular ao protótipo

O Tour Auto aceita modelos que marcaram a prova original entre 1951 e 1984. A lista é vasta e democrática, incluindo desde o popular Citroën 2CV e o Renault 4CV até máquinas de alto desempenho como o Lamborghini Miura, Lancia Stratos, BMW M1 e diversos modelos da Alfa Romeo, Porsche e Aston Martin.



O evento é altamente acessível aos fãs:

Acesso aos vilarejos e parques fechados: Disponível mediante a apresentação do programa oficial, vendido por 15 Euros.

Circuitos: as provas em circuitos (Magny-Cours, Albi, Pau-Arnos e Nogaro) têm entrada gratuita para o público.

Eventos em paris: no domingo, 3 de maio, há uma parada excepcional de 160 carros pelos Champs-Élysées, escoltada pela Guarda Republicana, entre as 8h e 10h. Na segunda-feira, 4 de maio, ocorre o tradicional leilão da casa Aguttes no Grand Palais.




Brasil no Tour Auto 2026 – a participação de Franco Pedrazzi e André Pires Oliveira Dias








A edição do Tour Auto 2026 contou com a participação do Team Pedrazzi, que inscreveu o Porsche 911 2.3L ST ano 1970 na sua clássica pintura amarela e número 283, para o desafio dessa tradicional competição. Franco Pedrazzi competiu como navegador ao lado de André Pires Oliveira Dias.




Franco Pedrazzi gentilmente relatou com exclusividade para o Blog como foi a experiência de competir no Tour Auto 2026:


O Tour Auto é praticamente uma reinvocação da prova de verdade que existia na época, contando com os próprios carros de corrida originais. É um evento que reúne tanto carros de rali quanto carros de pista. No passado, a prova já contou com modelos como o 907, o 910 e o Matra; neste ano, inclusive, correu conosco um Alfa 33.

Todos os anos, a largada oficial acontece em Paris. De lá, descemos praticamente a França inteira. O destino final varia: em algumas edições a chegada é em Nice, na costa do Mar Mediterrâneo, mas este ano o percurso atravessou o país até o outro lado, terminando em Biarritz, na costa do Oceano Atlântico.



A Rotina e a dinâmica das provas

A rotina da prova é extremamente puxada e sem pausas (um verdadeiro non-stop). Passamos muito tempo dentro do carro e, ao final, completamos mais de 3.000 quilômetros rodados.

Um dia típico funciona da seguinte maneira:

06:00 – Despertar.

07:00 – Início das largadas dos carros, um a um.

Ao longo do dia – deslocamento pelas ruas normais — sempre num ritmo forte e sob competição (no "pau"). Em muitos momentos, contamos com o apoio e escolta da polícia para abrir o trânsito.

Diariamente, enfrentamos três provas especiais:

Duas subidas de montanha: trechos fechados ao tráfego, com média de 15 quilômetros cada, onde o objetivo é fazer o menor tempo possível. É uma condução rápida e no limite.

Uma prova em circuito (pista): consiste em cerca de 20 minutos de corrida em um autódromo.

Entre uma especial e outra, realizamos os trechos de ligação (transferências) por vias públicas, que chegam a somar uns 400 quilômetros por dia. Até o almoço segue esse ritmo frenético: paramos em uma tenda ou local indicado pela organização, comemos rapidamente assim que chegamos e já voltamos direto para o carro para continuar a corrida. Não há tempo para relaxar.

A jornada diária termina por volta das 22:00 ou 22:30, quando chegamos ao Parc Fermé (Parque Fechado). A partir da chegada, a equipe de assistência tem um limite rigoroso de duas horas para revisar e dar manutenção no carro; depois disso, ninguém mais pode tocá-lo. Na sequência, dormimos o pouco que nos resta de tempo até o despertador tocar novamente e recomeçar tudo.



Desempenho e Resultados

No geral, andamos muito bem e tivemos ótimos tempos, figurando constantemente entre os três primeiros colocados nas provas especiais — inclusive com o nosso ST. O carro se comportou de forma excelente e o único contratempo mecânico que tivemos foi um pequeno problema no câmbio, o qual conseguimos substituir com sucesso durante a noite.

Felizmente, não sofremos nenhum acidente. Isso é uma grande vitória, pois batidas são extremamente comuns no Tour Auto, dado que as estradas de montanha são muito estreitas, sinuosas e desafiadoras. Quem tiver curiosidade pode buscar por vídeos do "Tour Auto 2026" no YouTube para ver a quantidade de acidentes e também para nos encontrar em algumas das imagens.

Apesar do ótimo ritmo na pista, sofremos uma dura penalidade logo no primeiro dia, no circuito de Magny-Cours. Após deixarmos o carro com a assistência para trocar os pneus e fazer a checagem, demoramos para carimbar o nosso "passaporte" de controle de tempos. Não chegamos atrasados ao local, mas o carimbo foi feito fora do prazo regulamentar, o que nos custou uma punição de mais de 5 minutos. Essa penalidade minou nossas chances de brigar pelo pódio e nos jogou para a 7ª colocação geral ao final do evento.










O Porsche 911 2.3L ST de Franco Pedrazzi e André Pires Oliveira Dias






Uma Experiência Única

Apesar do resultado final ter sido afetado pela punição, a aventura foi fantástica. Formamos uma equipe 100% brasileira, composta por mim e pelo André. Embora seja uma rotina exaustiva com muita rodagem, passamos por lugares absolutamente fantásticos. É uma prova sem igual e uma experiência ímpar de se participar.













André Pires Oliveira Dias conduziu o Porsche 911 do Team Pedrazzi





No destaque, Franco Pedrazzi
































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