Anos 2000, mudança de categoria e de posição
A mudança de categoria fez com que a equipe Penske, pelo menos na minha opinião, alterasse o patamar entre os dois brasileiros que eram pilotos do time mais famoso das pistas americanas. Não digo isso por ordens de equipe: Gil de Ferran e Hélio Castroneves sempre tiveram condições iguais na luta por vitórias e eram quase idênticos em nível de competitividade desde que passaram a dividir a Penske, no ano 2000, ainda na época da CART.
Porém, na minha visão, assim que o time do famoso “Capitão” passou, em 2002, a disputar exclusivamente o campeonato de circuitos ovais da IRL, houve uma mudança clara de patamar entre eles. Antes, Gil era o piloto mais constante, com Hélio no papel de perseguidor. Já nas duas temporadas seguintes, com o regulamento aerodinâmico diferente e motores de 700 cavalos — em vez dos 900 da categoria anterior — foi Hélio quem passou a ditar mais o ritmo.
Basta lembrar que a primeira dobradinha da equipe na nova categoria aconteceu já na segunda etapa da temporada de 2002, no acentuado oval de Phoenix, no Arizona. Naquela prova, Hélio recebeu a bandeirada em primeiro, conquistando a vitória com excelente controle de ritmo, sem forçar nas voltas finais — algo essencial para quem estreia em um campeonato novo, especialmente em ovais, onde o consumo de combustível é extremamente alto.
O consumo, aliás, foi decisivo para salvar Hélio em duas situações importantes: na manutenção do terceiro lugar em St. Louis e, antes disso, na conquista do inédito bicampeonato nas 500 Milhas de Indianápolis. Em Indianápolis, o brasileiro contou com a sorte da bandeira amarela surgir no momento exato em que Paul Tracy tentava a ultrapassagem pela liderança, na antepenúltima volta. Ainda assim, vale lembrar que, na última volta — ainda sob bandeira amarela — Hélio precisava cruzar a linha de chegada à frente do canadense.
A apreensão não se limitava apenas à revisão do lance para saber se Tracy havia ou não ultrapassado antes do acidente que provocou a entrada do safety car, mas também à dúvida sobre se o brasileiro teria combustível suficiente para completar aquela última volta em marcha lenta. E teve. Assim, Castroneves se tornou o primeiro piloto novato a vencer duas vezes consecutivas uma das três corridas mais importantes do automobilismo mundial.
Os bons resultados do carro nº 3 na IRL refletiram naturalmente na tabela de pontos. Em 2002, Hélio foi vice-campeão, brigando pelo título até a última prova com o principal nome da categoria, o americano Sam Hornish Jr. Já em 2003, aparecia como um dos três favoritos em uma disputa que envolvia cinco pilotos: além de Hornish, Tony Kanaan, Scott Dixon e o próprio Gil de Ferran.
Gil, apesar de ter menos sucesso imediato na IRL, também mostrou lampejos claros de competitividade. Na minha opinião, ele era menos à vontade nos ovais, o que explica a demora para engrenar nas temporadas de 2002 e 2003. Mesmo assim, não deixou de se despedir dos monopostos com brilho. Sua vitória nas 500 Milhas de Indianápolis de 2003 foi marcada pela inteligência de corrida: ele ultrapassou Hélio após o compatriota perder um pequeno tempo ao negociar a ultrapassagem de um retardatário na reta oposta. Depois, mesmo com vantagem mínima, conseguiu controlar o ritmo até a bandeirada final, garantindo o triunfo que o colocou no seleto grupo de pilotos que foram campeões da Indy e vencedores da Indy 500.
Tudo isso aconteceu em um curto espaço de tempo: Gil foi campeão da CART em 2000 e 2001 e, em 2003, já pela IRL, venceu as 500 Milhas de Indianápolis. É uma história digna de comemoração. Talvez as únicas decepções, tanto para mim quanto para outros torcedores — de Gil e também de Hélio — sejam não ter visto os dois brigarem mano a mano por um título ou decidirem uma corrida em um verdadeiro photo finish.
Por diversas vezes, eles dividiram a primeira fila do grid, como em Richmond, em 2002, e chegaram a disputar vitórias diretamente, como no final das 400 Milhas de Michigan, no mesmo ano. Mas, no fim das contas, parecia que não era para ser. O campeão da CART não teve a mesma constância na IRL, e na prova do Texas acabou entrando mais como outsider na briga pelo título do que como favorito, já que havia vencido apenas em Nashville, após a Indy 500. Enquanto isso, Hélio chegou a assumir a liderança do campeonato depois da vitória em Nazareth, na Pensilvânia.
Ainda assim, apesar da diferença de performance ao longo do período, houve momentos claros de igualdade entre eles. Em 2002, ambos conquistaram duas vitórias cada. Já em 2003, Hélio foi o mais constante, mas o piloto do carro nº 6 venceu três vezes, contra duas do companheiro que guiava o inesquecível nº 3.
Sobre os photo finishes daquela época, acho que isso merece um capítulo à parte. Então, fique ligado por aqui para acompanhar.
Obs Rfinal. É importante lembrar que em 2003 Gil ficou fora das pistas por mas de um mês por conta do acidente que batida forte no muro de phoenix após se tocar com Michael Andretti , porém isso não muda a situação de comparação da transição de temporada entre os dois pilotos da equipe penske, pois depois que voltou a correr, ele manteve se completivo mas na o bastante para brigar de igual para igual com Hélio no restante do ano.


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