quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Coluna do Nathan Sahium #01



Aceitando o convite do meu amigo Rodrigo Carelli, estou aqui para contribuir um pouco para este grande blog que relembra personagens, circuitos e eventos do automobilismo nacional e internacional. Novamente, muito obrigado pelo convite, meu amigo.



Como em 2026 completamos 30 anos do início da cisão que dividiu a Fórmula Indy por doze anos, a proposta da pequena série que vou fazer nessas participações será falar de nomes que disputaram as duas categorias da Indy nesse período e tiveram sucesso tanto na IRL (Indy Racing League) quanto na CART Series (aqui no Brasil conhecida como Fórmula Mundial).



Bom, não há maneira melhor de começar este segmento do que falando de um sueco que foi rapidamente do patamar promissor para o arrasador dentro das pistas americanas. Acredito que essa seja a melhor definição para falar de Kenny Bräck.



De 1997 a 2005, a peculiaridade do nórdico não ficou apenas em seu país de origem, mas principalmente em seu jeito de pilotar. Se olharmos bem, Bräck nunca foi um piloto marcado por grandes ultrapassagens ou por protagonizar photo finishes, mas sim por ter consistência no pelotão da frente e por saber arriscar na hora certa em suas batalhas.



Foi assim que ele foi campeão da IRL em 1998, desbancando o então detentor do título, Tony Stewart, e que brigou duramente com Gil de Ferran pelo título da CART em 2001.



Essa regularidade já havia dado as caras em sua estreia, em 1997, quando, em uma trajetória de apenas sete corridas dentro da recém-criada categoria de ovais, ele chegou três vezes entre os cinco primeiros. Vale lembrar dois fatores importantes: Bräck disputou apenas sete corridas naquele ano e sua nova empreitada não tinha nada a ver com zona de conforto, já que o sueco vinha de três temporadas na Fórmula 3000 Internacional, na Europa.



Essa rápida adaptação ao novo terreno já deu frutos rápidos. O título de 1998 veio com um 11º lugar na última etapa do ano, no oval de Las Vegas, porém a sequência de três vitórias consecutivas em Charlotte, Pikes Peak e Atlanta deu o tom de uma pequena dominância ao longo do campeonato, já que Tony Stewart, seu principal rival, não conseguiu ampliar o bom começo de ano e terminou com apenas duas vitórias.



Em 1999, o nome do sueco não ficou marcado no livro de campeões da categoria, mas seu rosto ficou para sempre imortalizado no Troféu Borg-Warner. Tudo por estar no lugar certo, na hora certa, nas 500 Milhas de Indianápolis daquele ano.






O então líder Robby Gordon sofreu com a falta de combustível quando se encaminhava para abrir a última volta da prova. Sua entrada nos boxes para um pit stop forçado deu a liderança ao piloto da equipe A.J. Foyt Racing, que precisou apenas conduzir o carro nas quatro últimas curvas para tomar o tradicional e delicioso leite da vitória.



Daí em diante, os anos seguintes foram de marcha para cima, literalmente, pois a equipe Rahal Letterman Racing mostrou interesse no piloto, que já era uma realidade nas pistas. A partir do ano 2000, o capacete amarelo e azul figurava na Fórmula CART, em um carro amarelo e branco com o patrocínio da Shell, coincidentemente com cores muito próximas às da bandeira sueca.



A grande surpresa, pelo menos na minha opinião, foi sua primeira vitória nessa nova categoria não ter vindo em um circuito misto — onde ele havia crescido correndo e se desenvolvido —, mas sim no oval de Motegi, no Japão.



Um ano após sua estreia, Bräck venceu a terceira etapa da temporada de 2001 e, dali em diante, tornou-se um candidato real ao título. Venceu na corrida seguinte, em Milwaukee, e quatro etapas depois, em Chicago. Nesse período, chegou a liderar o campeonato à frente de Gil de Ferran.



A partir daí, o brasileiro teve que literalmente se reinventar para tirar o título do já experiente rato de ovais. No oval de Rockingham, na Inglaterra, partiu com tudo para cima do sueco e, na última curva da última volta, ultrapassou brilhantemente por fora, conquistando sua primeira vitória em 2001 e impedindo que Bräck varresse a passagem da CART pela Europa, já que uma semana antes o piloto do carro amarelo havia vencido no oval de Lausitzring, na Alemanha.








Graças também à sua regularidade, Gil de Ferran foi campeão da CART no GP da Austrália, ainda com uma etapa restante para o final da temporada.



Depois disso, o piloto da Penske partiu para a IRL junto com sua equipe, deixando o caminho — e talvez o trono — aberto para o sueco, que continuaria na CART com um contrato forte, assumindo uma vaga na Chip Ganassi Racing ao lado do brasileiro Bruno Junqueira.



Porém, essa parceria que na teoria parecia vitoriosa, na prática foi atrapalhada pelos brasileiros. Foi Bruno quem conquistou o vice-campeonato de 2002, enquanto Cristiano da Matta, antigo rival de 2001, dominou a temporada de forma arrasadora. Ele disputou com Bräck a primeira e a última prova do ano e levou o título com sete vitórias, garantindo o campeonato com três etapas de antecedência.



A saída da categoria não era um mau negócio para o piloto da nossa história. Em 2003, a IRL e sua antiga equipe, a Rahal, fizeram parte desse novo cenário. Infelizmente, sua segunda passagem pela categoria exclusiva de ovais não foi tão vitoriosa quanto a primeira: ele terminou apenas em nono lugar no campeonato e encerrou o ano no Texas de uma forma bem diferente do alto do pódio que havia conquistado na Cidade do México, em sua última corrida na Fórmula Mundial.



Um enrosco com Tomas Scheckter na parte final da etapa fez seu carro decolar e se despedaçar quase inteiramente na grade de proteção do fim da reta oposta. O acidente teve um impacto de 214 G — mais de 214 vezes a força da gravidade — no carro azul e vermelho, o que causou seu afastamento de toda a temporada 2004 da já consolidada Fórmula Indy.



Aquele foi o fim de uma história, mas não de uma carreira.



Após quase dois anos de recuperação, Bräck estava de volta ao cockpit da mesma equipe e iria competir justamente na prova que o consagrou em 1999. O mês foi intenso e trouxe uma grande surpresa: confirmando sua boa adaptação e competitividade com o carro de 2005, ele fez o tempo mais rápido de toda a classificação no circuito mais importante do ano.



Só não largou na pole por um detalhe: não pôde participar do primeiro dia de treinos classificatórios e, por isso, teve que sair da 23ª posição. Um problema no eixo de transmissão acabou com suas chances de vitória, mas não com seu ânimo. Bräck concedeu entrevistas tranquilo e visivelmente feliz por simplesmente voltar a competir — um excelente final de carreira para quem esteve à beira da morte 18 meses antes.



O sueco ainda fez outras boas participações no automobilismo de elite, chegando inclusive a um pódio em uma disputa de menor tempo no prestigiado Festival de Goodwood, em 2016. Mas isso é assunto para outro dia.



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